A Brincadeira - Milan Kundera

Olá, leitores!

Eu retornei com um livro lido para comentar com vocês. É o A Brincadeira de Milan Kundera, autor da Insustentável Leveza do Ser. Como dito no post anterior, é a primeira obra dele e durante sua leitura se percebe diferenças, mas também sua personalidade bem claramente.

"Nós vivíamos, Lucie e eu, num mundo devastado; e porque não soubemos nos apiedar dele, dele nos desviamos, agravando assim sua infelicidade e a nossa. Lucie, tão amada, tão mal-amada, foi isso que você veio me dizer no fim desses anos? Implorar compaixão por um mundo devastado?" (p.396)

O livro começa quando Ludvik retoma a cidade de sua infância e, ao andar com seu "amigo" Kotska, é convidado a ir numa barbearia aonde encontra Helena, uma mulher que conheceu há muitos anos que, na época, se chamava Lucie. Assim, o livro retoma ao passado de Ludvik e faz a trajetória de sua vida que se deve graças a uma brincadeira mal-interpretada. 
Quando universitário, filiado a União de Estudantes que tinha relação com o Partido Comunista, ele se interessou por uma menina chamada Marketa. O livro a descreve como uma pessoa sem senso de humor e demasiadamente séria. Durante essa aproximação dos dois, precisaram ficar distantes por longos meses e trocavam cartas cotidianamente. E, durante essas cartas, ele escreveu brincando com ela: "O otimismo é o ópio do gênero humano! O espírito sadio fede a imbecilidade. Viva Trotski!".
Mas, essa carta foi parar na mão do partido e ele foi expulso da faculdade e de seus cargos que possuia. Por isso, teve que virar soldado no grupo negro (dos suspeitos para o comunismo) e, por um acaso, conheceu Lucie a qual teve uma história confusa e intensa de amor.

A história é interessante e tem a personalidade de Kundera por diversos motivos. Primeiramente porque não é romântico, nem um pouco. Ludvik reencontra Lucie em Helena e não tem o menor interesse em ser o amor de sua vida. Helena está num casamento fracassado e implora para que Ludvik fique com ela. Curiosamente, não dá para saber se ela o reconhece como o mesmo Ludvik de sua juventude. A leitulra é fragmentada em partes maiores (capitulos) e menores (subcapítulos) dando um fluxo similar, mas não igual, à Insustentável Leveza do Ser. 

Fora os personagens secundários que são maravilhosos. Jaroslav, os outros soldados, Jindra, Zemanek e o Kotska que, sem dúvida, é o meu personagem favorito. Ele é pacifico, imersos nos seus ideais comunistas e na sua fé cristã quando conheceu Lucie no campo e foi o único que verdadeiramente a ouviu e conhece quem ela é. Ele, para mim, é incrível (claro, porque sou estudante de Teologia e cristã).

"Estou absolutamente certo de que a linhagem espiritual que se vale da mensagem de Jesus conduz a igualdade social e o socialismo de modo muito mais natural. E quando me lembro dos mais ardentes comunistas do primeiro período socialista em meu país, como por exemplo o presidente do Comitê, que entregou Lucie em minhas mãos, essas pessoas me parecem muito mais próximas de zeladores religiosos do que de discípulos de Voltaire cheios de dúvidas. O período revolucionário depois de 1948 não tinha muita coisa em comum com o ceticismo nem com o racionalismo. Era o tempo da fé coletiva. O homem que, aprovando-a, caminhava com a época era habitado por sensações muito próximas daquelas que a religião proporciona: renuncia a seu eu, a seu interesse, a sua vida particular, por alguma coisa de mais elevado, de suprapessoal. É claro que as teses do marxismo tem uma origem profana, mas o alcance que lhes atribuiam era comparável ao alcance do Evangelho e dos mandamentos bíblicos."

A última cena do livro não é muito emocionante, mas o autor não se propõe a que seja. Mas, perto do final, as histórias se reunem e se aglomeram de modo que faz a grande crise que perpassa todo o livro: as angústias de Helena.

Então é um livro que eu sugiro muito a leitura porque, realmente, Milan Kundera é genial no que faz. É claro, não é tão elaborado quanto a sua grande obra, mais a posteriori, mas para quem gosta de uma história boa, bem escrita, coeza e interesse, é uma boa pedida!

E, já vou dizer: não lerei mais um romance até o final do ano. Maaaaas... Tenho planos para o Projeto Me Livrando e algumas surpresas! Esperem e verão!

Boas leituras!

Final de ano no Me Livrando

Ho Ho Ho, vocês acham que eu me esqueci do blog? É claro que não!

Mas o meu atraso se deve principalmente porque não sabia qual livro ler depois do Fantasma da Opera. Todos os livros de literatura aqui de casa ou estavam na lista ou já tinha lido! Demorei cerca de uma semana para ter a sorte de passar numa feira de livros, no Largo do Machado (RJ), e comprar um livro inusitado que nem sabia existir. Foi 10 reais e tenho apreciado muito.

Então, recebam com aplausos o livro que estou me deliciando agora \o/:
A Brincadeira de Milan Kundera

O autor é conhecido por ter escrito o livro que vocês já viram aqui no blog chamado A insustentável leveza do ser. Para lembrar mais sobre o autor e sua obra, veja no meu outro post. Este, que estou lendo hoje, foi o primeiro romance dele a ser publicado em 1967 e tive muita curiosidade de procurar ler outro livro do mesmo autor porque ele tem uma forma escrita muito rica. É claro que esse, por ser escrito quase vinte anos antes do A insustentável leveza do ser, tem outro linguajar, apesar de, novamente, tratar sobre o comunismo, partidarismo, romance e infidelidade. Porém, esses temas são trabalhados de forma completamente outra, o que mostra a genialidade dele.
Por enquanto, estou na página 70, sendo ter 402 páginas. Pretendo ainda essa semana terminar e, quem sabe, ler mais um livro até o ano novo! Alguma sugestão de final de ano?

Então ainda temos muito drama para ler antes de 2013 acabar e, ano que vem, vocês sabem: Projeto Me Livrando. Lerei uma parte daqueles livros da lista até conseguir acabar daqui há muitos anos.

Boas leituras e em breve mais novidades!

O Fantasma da Ópera - Gaston Leroux (segunda parte)

Olá, amigos leitores!

Enfim, a segunda parte do meu post sobre o livro O fantasma da Ópera. E, com muita alegria, a final. Quero contar um pouco quais foram minhas impressões, especialmente porque sempre fui fã do teatro, do filme, do musical e tudo que circulava sobre a história do Fantasma. Acredito que, muitos outros como eu, são fãs antes mesmo de ler o livro, o que é muito curioso, mas comum. 

E, parece ser bem comum esse comentário, mas o livro é completamente diferente da obra, tanto do teatro quanto do cinema. Mas eu acho que é diferente em um nível até complexo porque os personagens, para mim, tem outro papel. Fico impressionada que, as últimas 100 páginas são voltadas para o relato do Persa, que é absolutamente esquecido no musical e na peça. Sem ele, não haveria relato sobre a história que se segue! E a madame Giry? Não aconteceu nada daquilo que se fala no cinema, da relação dos dois. Ela, na verdade, é um personagem vazio, sem expressividade e bastante fútil. A briga da troca de cartas também não ocorre. Fora que, pela narrativa tentar ser muito concreta, cheia de relatos e detalhes, não há o romanceamento que se vê no musical e no cinema. O fantasma da Opera, que no livro só se chama de Érik, é um personagem completamente perturbado e claramente psicótico. Carlota também é um personagem que aparece muito pouco, sem fazer grandes contraposições com a Christine. E a própria Christine me surpreendeu muito.

Primeiro porque ela desafia o Raoul. Com um anel de ouro, dado pelo fantasma, no começo, ela parece encantada pelo anjo da música, e comprometida com ele (não, necessariamente, em um sentido amoroso). Como falei no post anterior, ela não reconhece o Raoul na primeira vez, só depois se aproximando que lembra e, ao pedi-la em noivado, ela apresenta o anel do fantasma e disse que não vai noivar coisa alguma! Onde a Christine do filme faria isso? Ela é completamente apaixonada desde o primeiro instante na obra do teatro. Me soou que ela tem muito mais autonomia e decide pelo Érik no começo. Só depois que a memória dela se aproxima de Raoul, ela se apaixona e vai em direção a ele, ainda muito assustada. Isso no começo do livro.
Segundo, os sentimentos dela são muito mais complexos no livro do que na peça. No musical, parece que ela é besta, apaixonada pelos dois. Ora, fica muito claro no livro que ela não é apaixonada coisa alguma pelo fantasma! Especialmente quando eles se conhecem. No começo, quando era só uma voz, ela se sentia encantada, hipnotizada e seduzida, mas jamais apaixonada. Depois, quando a conhece, ela tem um profundo horror. Tanto horror que no final do livro, ela tenta se matar (e não consegue) quando está com o fantasma. O Don Juan Triunfante que o Fantasma escreve, também, não é interpretado, como é visto no filme/musical.

E, o mais interessante, para mim, é o final. O começo tem as cenas clássicas: o lustre caindo, o enforcamento, a nova diretoria chegando, um mistério por trás do fantasma e a voz que a Christine ouve. Aliás, ela não faz ideia de que a voz é o fantasma.
O fim não é assim. O fim é terror puro, suspense e apavorante. Você fica angustiado com o Raoul e o Persa indo atrás da Christine. Não é simples que nem o musical. Ou a Christine casava com o fantasma ou ele explodia o Opera! E, por isso, é bem incrível.

Olhando por essa perspectiva, o filme é uma completa re-adaptação do livro em sua história. Infelizmente não há poesias, com as músicas. E como faz falta! Se formos mais a fundo e compararmos o livro com a última peça baseada no Fantasma da Opera (que seria a continuação), Love Never Dies, ai podemos ver que é outra história totalmente outra, sem quase relação com a mensagem que o livro original queria dizer! Quando vi Love Never Dies já achei completamente diferente da história. Agora, vendo a relação da Christine com o fantasma no livro, vejo que é absolutamente impossivel que faça algum sentido essa continuação. Christine estaria se contorcendo no túmulo se soubesse que inventaram o Love Never Dies, de tão absurdo e doentio que é. Todavia, não posso negar que é outra bela peça!

Então, é isso! Comentarios? Sugestões de livro? 

Um abraço e boas leituras!

O Fantasma da Ópera - Gaston Leroux (primeira parte)


Olá, meus amigos leitores! Tudo bem? Espero que sim!

Estou seguindo na minha leitura lerda do livro que está no título: O Fantasma da Ópera!

E dividi minha análise do livro em dois momentos, porque eu ainda estou na página 124, tendo ainda muito o que acontecer.

"A estranha conversa com Christine o perturbava por inteiro!... Pensava menos em Christine do que no que a cercava, e esse "cercar" era tão difuso, tão nebuloso, tão inacessável, que ele experimentava um mal estar muito curioso e muito angustiante."

O livro foi escrito em 1910 e foi, sem dúvida, a obra mais famosa de Gaston Leroux. Ele fez um trabalho muito especifico em tentar aproximar a realidade aquilo que escrevia, contando de artigos de jornal, relatos e entrevistas sobre pessoas que souberam desse grande mistério que circulou o Opera de Paris. Sei que, no meio desses relatos, ele recria um romance entre a Christine e Raoul, junto com outros elementos bem romanceados como os sentimentos dos personagens. 

Eu estou lendo a versão da L&PM pocket e receio dizer que há muitos erros de tradução e reliteração ao português. No próprio trecho que eu coloquei já dá para perceber o excesso de "muito" e, um detalhe que se encontra no livro, reticências em demasia. Há outros, como o termo "Daaé pai", que inglês é Daaé's Father, sem a readaptação. 

Sobre a história em si, o tema central é o mesmo das grandes peças de teatro: um fantasma assombra o Opera de Paris e Christine parece ser vítima deste, utilizando-se do discurso de que seria o Anjo da Música. Mas, apesar de a peça continuar a ser bem parecida com o livro, há algumas diferenças interessantes. Por exemplo, quando Christine canta, é comum que passe mal depois e que se desgaste completamente após a música, por tamanho esforço que ocorre. Raoul, no primeiro momento, não é reconhecido pela cantora quando disse ser seu amigo de infância. E, além disso, cria a hipótese de que ela é amante do Fantasma da Opera, tendo até desprezo por ela. E, mesmo tendo ela explicado a situação, ele a chama mentirosa. Fora que, para mim, no livro o personagem dele é muito arrogante e mesquinho, por ser rico. 

É um livro muito interessante de se ler! Vale a pena. Na próxima parte contarei mais detalhes da história que eu omiti, junto com as grandes surpresas que ainda virão!

Você já leu o livro? O que achou? Comente :)!

Abraços e boas leituras!!

Assim falou Zaratustra - F. Nietzsche

Me sinto vitoriosa porque eu finalmente terminei o Assim falou Zaratustra, do nosso amigo Friedrich Nietzsche. Quem leu meu último post sabe do sofrimento que passei durante a leitura deste por causa de sua filosofia e de sua linguagem. Várias vezes pensei em desistir, mas insisti e não me arrependi.

O livro conta a história de Zaratustra, uma pessoa a qual não sabemos a história anterior. Se inicia quando ele, que estava a montanha, sente que é hora de descer e passar seus ensinamentos. O personagem é apresentado no estilo profético, de mestre, quase messiânico e, nos seus ensinos, se baseia principalmente a necessidade da superação do homem, já que Deus morreu e a valorização do Super-homem. Essa mensagem, se perceber o contexto histórico em que o autor viveu, tem um grande valor simbólico e é por esse livro em que se espalha a mensagem de que Nietzsche matou Deus. A exaltação do homem e de sua autonomia frente as “crendices” é o tema central durante toda a obra.

Sua narrativa é basicamente circular entre a descida de Zaratustra a cidade e o retorno a montanha quando ele se sente exausto com a demanda que o povo trás. Muitas vezes ele se deprime, chora, ri, quer fugir e percebe o quanto as pessoas não entendem a mensagem que se propõe.

De fato, a leitura é cansativa e o início do livro, a qual a base é os grandes sermões de Zaratustra é um tanto entediante. Todavia, quando o autor retoma a narrativa e principalmente nos capítulos finais, se torna mais interessante. No meu caso, como estudo Teologia, achei muito interessante sua argumentação sobre a morte de Deus e a apropriação de outras religiões, a qual se destaca a cristã, na formação da identidade desse profeta. Alguns são os exemplos: os sermões são paralelos aos da montanha, de Jesus. Além disso, ele faz modificações de conhecidas frases do cristianismo como “não só de pão o homem viverá” e Zaratustra completa “mas também de uma bela carne!” ou, outra situação, que ele fala do Reinado do homem, retomando a ideia do Reino de Deus.  Ele também faz ironias o tempo inteiro, tanto com os próprios personagens quando as pressuposições religiosas, dizendo que “só se entrará no Reinado se formos como vacas”. Enfim, para pessoas que possuem uma mentalidade crítica sobre a religião, é um livro muito rico.

O próprio personagem de Zaratustra é muito carismático, sempre enfatizando o rir, dançar, se divertir e o sarcasmo. Isso atrai a pessoa ao texto e traz a curiosidade de qual será o final do profeta.

Além disso, li pela tradução da Martin Claret, que eu percebi poucos erros de português (como usar tanto a palavra bailar e dançar para a mesma situação) e se utilizou do termo Super-Homem, que é uma tradução controvérsia ao termo utilizado pelo autor.

Para terminar, o saldo foi positivo e recomendo, apesar de ter plena certeza que é bem exaustivo e que, para pessoas religiosas, pode ser assustador (o que não foi no meu caso). Novamente, desculpe a demora na leitura porque foi bem difícil e não conseguia ler mais de 5 páginas por dia, problematizando o ritmo que normalmente tenho a ler.

E para a próxima semana... Surpresa!
Já digo que é um livro que nunca li, mas que conheço a história de cor.
Dica: se tornou peça de teatro e filme.


Um abraço e boas leituras!

Qual romance você está lendo? - Folha de São Paulo.

Antes do Artigo, tenho que me justificar.

Boa tarde leitores! Tudo bem?
Logo após minha tragédia grega com o Homero, decidi ler um livro que muitas vezes é comentado pelo público que é o Assim falou Zaratustra, do Nietzsche. Este não me parece estar muito conectado com o que compreendemos normalmente por ficção, por ter um apelo muito filosófico e confesso que é isso que está me dificultando na leitura. Estou, hoje, na página 104 e, por minha vontade, desistiria. Todavia, acredito que, por não se tratar de uma narrativa qualquer, não posso simplesmente julgar que o autor não conseguiu captar a atenção do leitor. Afinal, o escritor é filósofo e nunca se propôs a produzir um romance.
Por isso estou insistindo.
A minha versão, da Martin Claret, tem 270 páginas, então devo demorar mais uma semana ou mais para terminar e, ao final dele, trarei o que entendi da história para contribuir.

Por enquanto, para não deixar o blog mais morto, trouxe um artigo da Folha de São Paulo, sugerido pelo meu namorado e que eu considerei muito interessante. Espero que gostem!

Qual romance você está lendo?

Sempre pensei que fosse sábio desconfiar de quem não lê literatura. Ler ou não ler romances é para mim um critério. Quer saber se tal político merece seu voto? Verifique se ele lê literatura. Quer escolher um psicanalista ou um psicoterapeuta? Mesma sugestão.

E, cuidado, o hábito de ler, em geral, pode ser melhor do que o de não ler, mas não me basta: o critério que vale para mim é ler especificamente literatura --ficção literária.
Você dirá que estou apenas exigindo dos outros que eles sejam parecidos comigo. E eu teria que concordar, salvo que acabo de aprender que minha confiança nos leitores de ficção literária é justificada.
Algo que eu acreditava intuitivamente foi confirmado em pesquisa que acaba de ser publicada pela revista "Science" (migre.me/gkK9J), "Reading Literary Fiction Improves Theory of Mind" (ler ficção literária melhora a teoria da mente), de David C. Kidd e Emanuele Castano.

Uma explicação. Na expressão "teoria da mente", "teoria" significa "visão" (esse é o sentido originário da palavra). Em psicologia, a "teoria da mente" é nossa capacidade de enxergar os outros e de lhes atribuir de maneira correta crenças, ideias, intenções, afetos e sentimentos.

A teoria da mente emocional é a capacidade de reconhecer o que os outros sentem e, portanto, de experimentar empatia e compaixão por eles; a teoria da mente cognitiva é a capacidade de reconhecer o que os outros pensam e sabem e, portanto, de dialogar e de negociar soluções racionais. Obviamente, enxergar o que os outros sentem e pensam é uma condição para ter uma vida social ativa e interessante.
Existem vários testes para medir nossa "teoria da mente" --os mais conhecidos são o RMET ou o DANVA, testes de interpretação da mente do outro pelo seu olhar ou pela sua expressão facial. Em geral, esses testes são usados no diagnóstico de transtornos que vão desde o isolamento autista até a inquietante indiferença ao destino dos outros da qual dão prova psicopatas e sociopatas.

Kidd e Castano aplicaram esses testes em diferentes grupos, criados a partir de uma amostra homogênea: 1) um grupo que acabava de ler trechos de ficção literária, 2) um grupo que acabava de ler trechos de não ficção, 3) um grupo que acabava de ler trechos de ficção popular, 4) um grupo que não lera nada.
Conclusão: os leitores de ficção literária enxergam melhor a complexidade do outro e, com isso, podem aumentar sua empatia e seu respeito pela diferença de seus semelhantes. Com um pouco de otimismo, seria possível apostar que ler literatura seja um jeito de se precaver contra sociopatia e psicopatia. Mais duas observações.
1) A pesquisa mede o efeito imediato da leitura de trechos literários. Não sabemos se existem efeitos cumulativos da leitura passada (hoje não tenho tempo, mas "já li muito na adolescência"): o que importa não é se você leu, mas se está lendo.
2) A pesquisa constata que a ficção popular não tem o mesmo efeito da literária. A diferença é explicada assim: a leitura de ficção literária nos mobiliza para entender a experiência das personagens.
"Como na vida real, os mundos da ficção literária são povoados por indivíduos complexos cujas vidas interiores devem ser investigadas, pois são raramente de fácil acesso."
"Contrariamente à ficção literária, a ficção popular (...) tende a retratar o mundo e as personagens como internamente consistentes e previsíveis. Ela pode confirmar as expectativas do leitor em vez de promover o trabalho de sua teoria da mente."

Em suma, o texto literário é aquele que pede esforços de interpretação por aquelas caraterísticas que foram notadas pelos melhores leitores do século 20: por ser ambíguo (William Empson), aberto (Umberto Eco) e repleto de significações secundárias (Roland Barthes).

Na hora de fechar esta coluna, na terça-feira, encontro a mesma pesquisa comentada na seleção do "New York Times" oferecida semanalmente pela Folha. A jornalista do "Times" pensou que a leitura literária, ajudando-nos a enxergar e entender os outros, facilitaria nossas entrevistas de emprego ou nossos encontros românticos.
Quanto a mim, imaginei que, na próxima vez em que eu for chamado a sabatinar um candidato, não esquecerei de perguntar: qual é o romance que você está lendo? E espero que o candidato mencione um livro que conheço, para verificar se está falando a verdade.

Por: Contardo Calligaris

Odisséia Fracassada (HOMERO da depressão)

Olá, leitores! Tudo bem com vocês?

Vim avisar que tive um azar problema no meu percurso literário que estava tendo! Comecei a ler A Odisséia de Homero, mas o meu livro, por ser muito muito muito velho, se despedaçou enquanto eu lia. Por isso, diferentemente da minha promessa de ler pelo menos 100 páginas, tive que interromper minha aventura na página 58.

Todavia, queria trazer para vocês o pouco que eu consegui trazer do livro!
Primeiramente, é importante se lembrar que não há confirmação se Homero realmente existiu. O que existe são obras que, muitas vezes, são dada a autoria por ele. Há até quem diga que o nome Homero seja a síntese de vários autores. E, no caso da Odisséia, ele constrói a mitologia grega (em forma de ficção, mas também com um sentido teológico para a época) baseada em concepções já difundidas na sociedade, na qual precisava de aprofundamento. Isso tudo 8 séculos a.C. aproximadamente.

Infelizmente, não tenho como trazer muito sobre a história em si. Até onde eu vi, em forma de prosa, se constituia na narrativa de Telêmaco, filho de Ulisses, que se vê em crise sem saber qual foi o paradeiro de seu pai depois de uma guerra, agregando ao fato de ter uma multidão de pessoas acampadas em sua casa querendo pedir a mão da sua mãe como esposa, já que, supostamente, o marido dela havia falecido. Nisso, ele segue em uma viagem, banhada de festas e heroismo, com a benção de Zeus, em busca de seu pai. 
Me parecia bem legal! Provavelmente quando meu Kindle chegar yey! o colocarei para ler. 

Porém, isso não me impedirá de continuar nas minhas Odisséias literarias! Em breve estarei trazendo outra resenha e pretendo eu trazer um artigo interessante essa sábado ao blog!

Abraços e boas leituras!

Livro Surpresa: A insustentável Leveza do Ser – Milan Kundera

Mas, Rebecca! Você demorou tanto para ler esse livro? O que houve?

Como o título já indica, o livro a qual passei três semanas para ler foi A insustentável leveza do ser, do Milan Kundera. O motivo perpassa por diversas ordens, seja do tempo, seja também pelo fluxo de leitura que o próprio livro permite. Por se tratar de uma obra fragmentada, é muito difícil manter a ordem cronológica de início, meio e fim. Isso, particularmente, me dificulta a leitura, apesar de ser, sem sombra de dúvida, uma obra invejável. Não é a toa que muitos elogios surgem.

O autor é tcheco, nascido em 1929 e está vivo, diferentemente dos outros que eu li recentemente. Além disso, sua pessoalidade dentro do livro, sem ser invasiva, é um detalhe, mas que, pessoalmente, faz toda diferença. Sua experiência com a Guerra Fria, do contexto tcheco e seu grande conhecimento cultural enriquece demais o livro. A(s) história(s) se desenvolve, no meio da invasão russa a Tchecoslováquia, com quatro personagens principalmente: Tomas, Tereza, Sabina e Frank.

Tomas é cirurgião e eu acho que é o personagem mais elaborado de toda obra. Ele deixa a primeira esposa e filho  e se aproxima de Tereza, uma jovem garçonete. Ele já tinha o costume de ter relações sexuais fora do casamento, mas percebe em Tereza algo diferente, que o obriga uma acolhimento diferente. O autor até usa a expressão de que ela fora levada pelas águas, como Moisés e outras figuras conhecidas, até ele.  Uma das mulheres em que Tomas as vezes se encontra é Sabina, pintora de personalidade forte. Ela, entretanto, tem um outro caso amoroso, muito mais longo do que com Tomas com Frank, um professor universitário cuidadoso, que também tem uma esposa e uma filha. Este é o aparato mínimo que se deve conhecer sobre a história. A partir disso, os personagens são elaborados por seus sentimentos, questionamentos e formas de se posicionar, se mesclando com a própria visão do autor nos mais diversos temas possíveis: sexualidade, política, religião, amor etc. O autor, brilhantemente, mescla tanto ele, quanto os personagens junto com grandes intelectuais da área da música, literatura e dos mitos, fazendo o próprio leitor pensar, junto com a história.

Apesar da visível capacidade do autor, a linguagem é muito agradável e possibilita que todo uso de termos filosóficos, da música ou de outros conhecimentos seja de fácil absorção durante a leitura, sem ser forçoso.  Mesmo para pessoas como eu que não gostam muito de filosofia, acaba se tornando muito leve e aproveitoso, sem que seja algo que repele no livro.

Outro fator, como citei antes, é a fragmentação do livro. O início do livro não é o início da história, da mesma forma como o meio e o fim. É dividido em capítulos a qual possui pequenos trechos que se completam como um quebra cabeça. Porém, é interessante frisar que não há nenhum interesse para que se possua todas as peças. Alguns momentos, se cria a inferência e, mesmo momentos que são um pouco fora da história principal, nunca são inúteis. Sem dúvida é de se parabenizar o autor que consegue construir muitas histórias paralelas sem ter enrolação.

E, de fato, é um autor brilhante. Não se tornou meu livro favorito, nem me fez emocionar demasiadamente, nem tocou em momento nenhum a assuntos que me são pessoais. Nada justifique que o livro em si seja meus favoritos, mas o autor, por sua consistência na forma que se desenvolve a obra, a maturidade e conhecimento, é, claramente, um dos melhores que já vi. Provavelmente, me verei lendo outros livros dele, mesmo não me interessando profundamente por seus temas, mas por sua capacidade.

Enfim, recomendo muitíssimo e aposto que, para muitos, será o livro favorito de todos os tempos.


Um abraço e boas leituras!

Ubirajara (José de Alencar, 1874)

Mas já?? Sim, eu leio rápido.

77 páginas me conduziram para a história do guerreiro Ubirajara, que tem seu nome modificado várias vezes durante o livro, que é forte e exemplar em sua tribo.  Criado no mesmo ano que foi produzido uma das grandes obras, Senhora, este mantém o ritmo e algumas lembranças do que foi Iracema, tendo algumas peculiaridades. A primeira delas, já deixei claro, o foco é o guerreiro, e não mais a mulher virgem. Além disso, acho que os personagens dessa última história são um pouco mais leves e sua escrita menos poética em sua totalidade. Todavia, está repleta de significados e, principalmente cantos, o que empodera a ficção.

O personagem principal era noivo de uma virgem, chamada Jandira, mas ele começou a sonhar com outra Índia, a Araci, de outra tribo. Assim, a priori abandonou a primeira noiva e foi para a outra terra para conquistar essa nova amada. No meio do caminho, lutou com um outro guerreiro chamado Pojucã e o derrotou. Ao chegar a terra de Araci, foi muito bem recebido pelo povo , principalmente pelo pai da moça, e teve que participar de um torneio para conseguir a nova virgem em casamento – e conseguiu. Porém, ao final das lutas, quando receberia a noiva em suas mãos, o pai finalmente decide conhecer de quem seria sogro e, para a infelicidade do guerreiro Ubirajara, este também era pai do guerreiro que havia derrotado, o Pojucã. Isso causa uma guerra entre as tribos, e familiar sem dúvida. A história entra em seu clímax ao tentar lidar com essa história – Itaquê, que era o pai, ficava dividido em dar a sua filha como esposa para o merecido guerreiro que era, ao mesmo tempo, quem massacrou o próprio filho.
É uma leitura bem dinâmica, dramática e tem muitos elementos da cultura indígena que fazem intercessão com a história de Iracema. Tem também um fluxo de acontecimentos que possibilita que o leitor entre na história e não fique monótono, como me aconteceu com A normalista. Mesmo assim, não tenho como dizer se gostei ou desgostei. Talvez a melhor expressão seja agradável para o momento.

Minha próxima leitura vai ser SURPRESA!
Dicas: é bem mais contemporâneo, é conhecido e muitas pessoas desejariam que o livro estivesse na lista.

Enfim, boas leituras e tragam as suas opiniões! :)

Abraços. 

A normalista (Adolfo Caminha, 1893)

Nas aulas de como se constrói um Romance, o autor Alberto Mussa falou uma frase, que servirá de guia para minha leitura dos livros. Este dizia: “Se um livro não te prendeu até a página 100, você pode desistir.”. E, infelizmente, foi isso que aconteceu com A Normalista. Não que o livro fosse ruim, mas talvez fosse um tanto monótono, ou, em um trocadilho besta, muito normal.

Conta a história de uma menina, chamada Maria do Carmo, que agora mora com seu padrinho João da Mata. Esta saiu do noviciado e entrou no colégio normal, se torna a normalista. Nesse meio tempo, ela namora um menino, chamado Zuza, que é de família boa, bacharelando, mas um tanto esnobe.

Quanto ao padrinho, é um senhor que, ao ver a normalista chegando aos 15 anos, tem um desejo feroz de possuí-la, onde no livro até se usa a expressão de “animal no cio” (p.86). Durante o desenrolar não fica claro se este abusou sexualmente da sobrinha ou não, mas existe um terror como se mostrasse que poderia acontecer a qualquer momento – especialmente quando ele bebe.

Maria do Carmo também tem uma amiga chamada Lídia, que estuda normal em sua sala. Todavia, esta possui uma fama ruim de ter namorado muitos rapazes e ser um pouco “moderna” para a sociedade. Além desses personagens, segue a esposa do João da Mata, o presidente, a mãe de Lídia, D. Campelo e outros poucos. Tudo isso se segue no Ceará, onde o Zuza trata com desprezo e apresenta a situação como cidade do interior, sem muitos detalhes. Outro fator que é até bastante interessante na obra tange na quantidade de referencias literárias que os próprios personagens leem e se identificam. Cita-se de Byron, Victor Hugo até o momento que Lídia e Maria do Carmo leem O primo Basílio escondido.

Sei que é injusto com uma obra literária ser comparada a outra, mas as similaridades com a Clara dos Anjos é bastante óbvia, talvez por ser naturalista. Hoje entendo os conceitos do ensino médio. Além disso, o tema que fica bastante perceptível no livro é a questão da sexualidade animalesca, onde o desejo é muitas vezes mais importante que o outro ser humano e pessoas inocentes, como a normalista, acabam sofrendo muito nessas situações.

Ora, acabei desistindo da obra na página 100, durante o casamento de Lídia e confesso que não foi porque a história tivesse um enredo ruim ou fosse insuportável, mas que os acontecimentos não me atraiam tanto a ponto de continuar. Talvez a outros seja diferente. E, por esse motivo, demorei mais a escrever esse post.

O próximo que me aventurarei será o Ubirajara do José de Alencar (1874), que complementa a história de Iracema. Assim terminará o ciclo de livros que comprei na Bienal. A partir daí vocês podem me dar sugestões dos mais diversos anos e gêneros que tentarei ler – basta haver facilidade de encontrar a obra.


É isso! Boas leituras!

Como nós : Irene na Multidão (Danielle Schlossarek, 2013)

É com muito orgulho que eu digo que li Irene na Multidão.
Como contei no post anterior, minha primeira experiência em me esforçar a ler novos autores foi em um encontro repentino com a Editora Oito e Meio antes da minha aula noturna. Ali estava na porta que recebia originais de escritores e aquela mensagem me atraiu, já que escrevo - mesmo que nunca tivesse publicado.
Foi o que encontrei: poucos livros, duas pessoas, uma mesa. Agora três porque eu havia entrado. Posteriormente descobri que uma era editora e outra era Danielle Schlossarek, que estava ali no lançamento de seu livro individual Irene na Multidão. Na verdade, o grande lançamento começaria mais tarde e eu, completamente leiga, entrei e fui a primeira a comprar o livro e a ter o autógrafo! Além disso, ganhei um broche.



E li e estou simplesmente apaixonada. 
É um livro que fica entre os contos e um romance. Inicialmente, a primeira história fala de uma mulher que trabalha no supermercado chamada Maria Clara e ela se recria, muda de nomes, inventa histórias. E, no momento que o narrador a encontra, ela se apresenta como Irene e depois some.
A partir desse ponto, começa-se histórias de personagens, encontros, desencontros, solidão, desespero entre cartas e muita imaginação. Nunca fica claro o que é real e o que é sentido, se Irene é alguém ou se está em alguém. Apesar dos contos terem histórias fechadas e não se encontrarem claramente, todas as histórias possuem harmonia, o que traz coerência quase implícita ao livro.
Além disso, a linguagem, a forma escrita é simplesmente fantástica. Tudo é muito poético, sem ser forçado e melodramático. Desde o cachorro que fica só, as mulheres que deixam os homens, os suicídios e a Irene que tem uns capítulos só dela, não fica perdido e sem sentido. Falando assim, soa estranho, mas foi uma experiência fantástica. Há um capítulo, chamado Fim, que reli umas dez vezes, o tanto que havia me tocado. E tantos outros que, sem dúvida, mudaram minha vida.

"O fim terá início quando, de repente, um planeta entrar em colisão com a Terra e, nessa hora, vamos nos perder em cálculos intermináveis e nos agarrar a esta existência, vamos descobrir que fizemos muito e nunca nos demos conta do tamanho desse tanto, e perceber o quanto consideramos esse pequeno tanto que é apenas nosso. Quando o fim estiver início, desejaremos permanecer exatamente onde estamos, sem grandes mudanças, persistindo na entendiante frustração dessa nossa rotina diária num esforço final de sobrevivência e esperança." Esse trecho tem um toque do filme Melancolia, não? Mas achei maravilhoso!

Não me lembro agora de qual autor que falou, mas se foi dito que é possível ler um romance que fosse bonzinho, mas um conto ou é ótimo ou é um fracasso. E esse livro tem contos ótimos, com um refinado gosto artístico, sem ser blasé

Recomendo veementemente para aqueles que gostam de poesias, contos, arte e de ter experiências catárticas com livros. Está a venda no site da editora que citei acima. 

Acho que agora, finalmente, posso voltar para A Normalista, do Adolfo Caminha! Fui tão longe para voltar aos romances modernos.

Abraços e boas leituras!!

Mudando um pouco: Queria Tanto (Livia Brazil, 2011)

Boa noite, queridos leitores!
Provavelmente alguns irão perceber com estranheza do título, já que na postagem anterior eu disse que leria A Normalista de Adolfo Caminha. Todavia, não foi o que aconteceu. Minutos antes de começar a ler o planejado texto, tive contato com uma editora de novos escritores, a Oito e Meio, e tive minha primeira motivação para ler a nova produção que vem sendo lançada. Tentei deixar tal motivação de lado, voltei a ler o que tinha planejado. Porém, todo o plano se desmoronou quando eu esqueci o livro que estava lendo em casa (A Normalista) e eu teria um tempo livre antes da minha faculdade noturna. Não resisti. Fui a Saraiva e encontrei esse livro, Queria Tanto, da Livia Brazil, que é, por coincidência, é amiga de uma amiga minha. O preço estava bom, tinha tempo livre, e a linguagem muito gostosa de ler. E, para completar, tinha algo que me seduzia bastante: ser bem feito, isso é, ter uma boa capa, um tamanho ideal, ser bem estruturado etc. 
E foi muito divertido ler esse livro!



Conta a história de Alice Maria, que é cenógrafa e mora em Santa Teresa no mesmo prédio de seus seis amigos inseparáveis. Ela mora sozinha, tem 22 anos, e é apaixonada por um menino chamado Gabriel, que trabalha no Teatro com ela. Estes dois tem uma amizade colorida, mas tudo desaba para a menina quando descobre que ele é gay. Assim, decorre o livro em que a personagem fala, como em um diário, sobre seus sentimentos, a família, os amigos e o suporte deles, suas atividades pela Zona Sul do Rio de Janeiro e em Búzios e, principalmente, sua dificuldade em relacionamentos amorosos. Nunca conseguiu namorar sério e se sente fadada a deixar de lado os meninos até conhecer Rodrigo. Este, que antes ela não quis por ainda estar muito apaixonada pelo Gabriel, vai aos poucos conquistando seu coração e a ajuda a ter uma nova perspectiva sobre namoro.
Durante a leitura eu ri, fiquei tensa, me irritava e me divertia por conhecer quase todos os lugares que eram citados. Além disso, gosto muito de quando os personagens amadurecem na narrativa e continua sendo descontraído. Foi bem legal!

A autora também publicou recentemente um novo livro chamado Coisas Não Ditas, faz pouquíssimos dias, e já está nas livrarias. Estou já planejando comprar o meu e escrever outra resenha sobre. 

E vocês? Tem variados seus livros? Deu vontade de conhecer?
Abraços!

A coitada da “Clara dos Anjos” (LIMA BARRETO, 1948)

Eu sinto pena da Clara dos Anjos, especialmente porque nem personagem principal da história é de fato. Pouco se fala dela – talvez porque pouco ela seja – e sua figura fica muito marcada no final da história.  Quem teve a oportunidade de ler o livro, consegue perceber, o quanto o autor é descritivo e talvez o personagem menos descrito seja a própria. E, sem dúvida, o personagem que surge como conexão dos fatos seja, na verdade, o terrível Cassi.

“Na vida, ele só via o seu prazer, se esse prazer era o mais imediato possível”

O livro começa ao falar do pai da Clara, Joaquim dos Anjos – a qual se ouve bem mais do que a própria também – e de sua esposa que conversavam com um grupo de amigos sobre quem Clara poderia se casar e surgiu o nome de Cassi. Mas, é o típico personagem que nenhum pai quer apresentar a filha. Este é um jovem que gosta de escrever modinhas e tocar violão, não trabalhar, seduzindo jovens casadas ou não e destruindo as vidas delas. Algumas ficam grávidas, outras desonradas, e contam-se histórias até de morte entre os familiares das vitimas. Todavia, pela ignorância de ser um carteiro negro, que não lê muito jornal, Joaquim dos Anjos não tem consciência desses relatos.

“Inútil é repetir que Cassi não tinha nenhuma espécie de amizade por esses rapazes, não pela baixeza de caráter e de moral deles, no que ele sobrelevava a todos; mas pela razão muito simples de que sua natureza moral e sentimental era sáfara e estéril”

A riqueza descritiva do livro aponta também a uma fertilidade nas elaborações dos personagens, contando desde o local onde tudo ocorre, no subúrbio do Rio de Janeiro até da história da família do Cassi e das pessoas que frequentam o bar do “Seu Nascimento”. Confesso que tive dificuldade de manter o ritmo da história no meio dos detalhes e personagens periféricos, mas é também o seu valor conseguir situar a pessoa tão dentro dos acontecimentos. E, principalmente, porque as descrições eram muito divertidas, sinceras e sem nenhum pouco de idealismo até mesmo ironizando, como no caso do poeta Flores que é sempre prolixo e que, no fim, ao dar um depoimento para a polícia, acaba sendo detido para um hospital psiquiátrico porque não dizia “coisa com coisa”. E isso se segue de forma muito a entreter e se aproximar sentimentalmente dos personagens.  Coloquei aqui abaixo parte da descrição de um personagem periférico para observar o que digo:

“Zé Mateus era um verdadeiro imbecil. Não ligava duas ideias, não guardava coisa alguma dos acontecimentos que assistia. A sua única mania era beber e dizer-se valente. (...) Totalmente inofensivo, quase inválido pela sua imbecilidade nativa e pela bebida (...). Era um ex-homem e nada mais”

Retomando a história, Joaquim dos Anjos chama Cassi para o aniversário de Clara. Esse momento é bem descritivo para caracterizar a pobreza e a simplicidade dos personagens que ali se encontram como também como os pais da menina se portam para com ela. O exemplo claro disso é que, na festa, quase não há jovens na idade de Clara, já que a mesma quase não sai de casa, tendo uma vida muito pacata.

“Entrou. Houve um estremecimento que percorreu os convivas, como um choque elétrico. Todas as moças, das mais diferentes cores, que ali a pobreza e a humildade da condição esbatiam e harmonizavam, logo o admiraram na sua insignificância geral, tão poderosa é a fascinação da perversidade nas cabeças femininas. Nem césar Bórgias, entrando mascarado, num baile à fantasia, dado por seu pai, Alexandre VI, no Vaticano, causaria tanta emoção. Se não disseram “É Cesar! É Cesar!” – codilharam: “é ele! É ele!”

Durante a festa, Cassi não resiste e tenta seduzir clara com o violão e cantando uma modinha e, Marramaque, que é padrinho de Clara, percebe as intenções dele e tenta o descreditar na festa, sendo irônico e o chamando de burro em um poema. Assim, o jovem conquistador se sente ainda mais desafiado a conquistar a aniversariante, custe o que custar.

“O que espantava, na ação de Marramaque, era sua coragem. Ele, semi-aleijado, velho, pobre, lançava um solene desafio àquele valdevino forte, são, habituado a rolos e rixas”

Contando com sua influência e, apesar de ser minado pela família e amigos da jovem, Cassi procura quem ele poderia utilizar para chegar em seus objetivos finais. Paralelamente, a jovem Clara se apaixona pela forma que o mesmo chegara nela no aniversário, romanceado dentre versos, não acreditando que ele era, de fato, tão ruim quanto os outros diziam.

“Cassi era dessa laia [mulherengo]: entretanto, Clara, na sua justificável ignorância do mecanismo da nossa vida social, julgava que seus pais eram com ele injustos e grosseiros.”

Nesse momento é que o autor finalmente começa a trabalhar quem era Clara, já o leitor muito ciente de que Cassi é um personagem perigoso, manipulador e falso. E, vendo a ingenuidade da menina, é quase impossível não desejar que o sedutor desapareça da vida dela, já que, se depender dela, se entregará completamente ao criminoso.

“ O seu ideal na vida não era adquirir uma personalidade, não era ser ela, mesmo ao lado do pai ou do futuro marido. Era construir função do pai, mesmo solteira, e do marido, quando casada. (...) Clara era uma natureza amorfa, pastosa, que precisava mãos fortes que a modelassem e fixassem.”

Porém, mesmo com a proteção de Marramaque, ele encontra um espaço para conquistar a menina, enquanto ela é tratada pelo Meneses, dentista, da dor de dente crônica que a perturba. Este tem contato com Cassi e se deixa vender para trocar carta entre o novo “casal”. Nestas cartas promete casar com Clara, dizendo que a ama e que queria um futuro ao lado dela, mesmo sendo negra, pobre e simples. Isso a encantou completamente e, aos poucos, os pais são obrigados a aceitar a relação deles dois. Todavia, o padrinho continua se opondo a Cassi, mantendo-se como barreira na relação.

“Ela se enganava porque não conhecia a vida. Para se escapar aos crimes de Cassi, basta um pouco de proteção e que o acusado seja bastante cínico e ousado.”

Um dia, Marramaque aparece morto, desfigurado no meio da rua e, apesar de ninguém ter suspeita explícita de quem havia matado, Clara imaginara que era seu noivo – e este justificava dizendo que tal assassinato foi feito pelo bem ao amor deles! Sem a única pessoa que estava impedindo a relação, os pais permitem que Cassi encontre com a jovem e o óbvio acontece: ele a engravida e some, deixando-a desonrada e só. Por algum tempo Clara, tapada, acredita que o noivo iria voltar, mas descobre, por meio de outros, que este viajou para São Paulo.
O desespero toma conta da família da moça, indo até a do rapaz, que o havia expulsado de casa, para conversar sobre a melhor opção a se fazer em tal hora. Porém, ao ver a jovem Clara, negra e pobre, a tratam com desdém, não desejando ajudar, deixando a personagem principal, que nada tem de mais importante, chorosa e sofrida.   

“Todas essas perguntas, ela formulava e não lhes dava resposta. Cassi partira, fugira... Agora é que percebia bem quem era o tal Cassi. O que os outros diziam dele era pura verdade. A inocência dela, a sua simplicidade de vida, a sua boa fé, e o seu ardor juvenil tinham-na completamente cegado.”

Apesar do final infeliz e ter me dado até pesadelo , a empatia pelos personagens e a forma me faz dizer que ler tal livro foi uma experiência muito boa. Não me identifiquei tanto quanto os livros que anteriormente me debrucei, mas foi interessante me arriscar em outro autor.

Para a próxima leitura, farei outro risco, mudando outra vez de escrita. Meu próximo livro é O Normalista, de Adolfo Caminha, contemporâneo de Lima Barreto. Vamos ler juntos?

Abraços!

A Lista

Boa noite, caros leitores!
Hoje é o dia que todos esperaram: a Lista do Mussa. 
Esse será nosso guia de leitura iniciando em 2014 e, no meu caso, sem prazo de acabar.

Preparados para ver os livros? Então, são esses abaixo:
  1. Tristão e Isolda (prosificaçao francesa, 1230)
  2. A demanda do Santo Graal (prosificaçao portuguesa. 1350}
  3. Menina e moça (Bernardim Ribeiro, 1554) 
  4. Lazarilho de Tormes (1554)
  5. Dom Quixote (Cervantes, 1605)
  6. Peregrinação (Fernão Mendes Pinto, 1614) 
  7. Robinson Crusoé (Defoe, 1720)
  8. Moll Flanders (Defoe, 1722) 
  9. 0 castelo de Otranto (Walpole, 1764) 
  10. As ligações perigosas (Laclos, 1782)
  11. Os cento e vinte dias de Sodoma (Sade, 1791)
  12. As afinidades eletivas (Goethe, 1809)
  13. Frankestein (Maiy Shelley, 1818)
  14. Ivanhoé (Scott, 1819)
  15. O  último dos moicanos (Cooper, 1826) 
  16. Os noivos (Manzoni, 1827)
  17. o vermelho e o negro (Stendhal, 1830)
  18. Nossa Senhora de Paris (Hugo, 1831)
  19. Pai Gonot (Balzac, 1834)
  20. O herói do nosso tempo (Liermontov, 1840)
  21. Os três mosqueteiros (Dumas, 1844) 
  22. Eurico , o presbítero (Herculano, 1844) 
  23. O conde de Monte Cristo (Dumas, 1846)
  24. O duplo (DostoievsM, 1846)
  25. A prima Bete (Balzac, 1846)
  26. O primo Pons (Balzac, 1847)
  27. O morro dos ventos uivantes (Emily Brontê, 1847)
  28. O monge de Cister (Herculano, 1848)
  29. A letra escarlate (Hawthome, 1850)
  30. Moby Dick (Melville, 1851) 
  31. Memórias de um sargento de milícias (Manuel Antônio, 1852)
  32. Madame Bovary (Flaubert, 1857)
  33. O guarani (Alencar, 1857) 
  34. Os miseráveis (Hugo, 1862)
  35. Luciola (Alencar, 1862)
  36. As minas de prata (Alencar, 1865)
  37. Crime e castigo (Dostoievski, 1866)
  38. Guerra e paz (Tolstói, 1869)
  39. A luneta mágica (Macedo, 1869) 
  40. A retirada da Laguna (Visconde de Taunay, 187 ?)
  41. 0 crime do padre Amaro (Eça, 1875) 
  42. Senhora (Alencar, 1875)
  43. Ana Karênina (Tolstoi, 1877)
  44. O bobo (Herculano, 1878) 
  45. 0 primo Basílio (Eça, 1878)
  46. Os irmãos Karamazov (Dostoievski, 1879)
  47. Memórias póstumas de Brás Cubas (Machado, 1881)
  48. 0 mulato (Aluísio Azevedo, 1881)
  49. A ilha do tesouro (Stevenson, 1883)
  50. Estranha confissão (Tchekhov, 1885)
  51. Germinal (Zola, 1885)
  52. 0 estranho caso do doutor Jekyll e Mister Hyde (Stevenson, 1886)
  53. A morte de Ivan ílitch (Tolstoi, 1886) 
  54. O homem do cavalo branco (Storm, 1887)
  55. Os Maias (Eça, 1888) 
  56. 0 Ateneu (Pompéia, 1888) 
  57. 0 morgado de Ballantrae (Stevenson, 1889)
  58. 0 cortiça (Aluísio Azevedo, 189G)
  59. 0 retrato de Dorian Gray (Wilde, 1890) 
  60. Quincas Borba (Machado, 1891)
  61. Quo vadis? (Sienkiewicz, 1895)
  62. A máquina do tempo (Wells, 1895)
  63. Bom-Crioulo (Caminha, 1895)
  64. A ilustre casa de Ramires (Eça, 1900)
  65. Luz em agosto (Faulkner, 1932)
  66. À condição humana (Malraux, 1933)
  67. São Bernardo (Graciliano, 1934)
  68. Os ratos (Dionélio Machado, 1934)
  69. Assassinato no Expresso do Oriente (Agatha Christie)
  70. Caminhos cruzados (Veríssimo, 1935)
  71. Marafa (Marques Rebelo, 1935)
  72. Angústia (Graciliano Ramos, 1936)
  73. Fronteira (Cornélio Pena, 1936)
  74. 0 amanuense Belmiro (Ciro dos Anjos, 1937)
  75. Pedra Bonita (José Lins, 1938)
  76. Rola-Moça (João Alphonsus, 1938)
  77. Palmeiras selvagens (Faulkner, 1939)
  78. 0 caso dos dez negrinhos (Agatha Christie)
  79. A invenção de Morei (Bioy Casares, 1940)
  80. 0 deserto dos tártaros (Buzzati, 1940)
  81. O estrangeiro (Camus, 1942)
  82. As brasas (Márai, 1942)
  83. Fogo morto (José Lins, 1943)
  84. Terras do sem-fím (Amado, 1943)
  85. Os servos da morte (Adonias, 1946)
  86. A peste (Camus, 1947)
  87. O intruso (Faulkner, 1948)
  88. Presença de Anita (Mário Donato, 1948)
  89. O túnel (Sabato)
  90. 0 céu que nos protege (Paul Bowles, 1949)
  91. A cidade sitiada (Lispector, 1949)
  92. Homens de milho (Asturias, 1949)
  93. 0 tempo e o vento (Veríssimo, 1949)
  94. Contramão (Antonio Olavo Pereira, 1950)
  95. Memórias de Adriano (Yourcervar, 1951)
  96. A colméia (Cela, 1952)
  97. Nuvens de pássaros brancos (Kawábata, 1952)
  98. Dom Casmurro (Machado, 1900)
  99. Coração das trevas (Conrad, 1902)
  100. 0 falecido Matia Pascal (Pirandelo, 1904)
  101. Esaú e Jacó (Machado, 1904) 
  102. O anjo azul (Heinrich Mann, 1906)
  103. O jovem Torless (Musil, 1906)
  104. O homem que era Quinta-feira (Chesterton, 1908}
  105. Os sete enforcados (Andreiev, 1908)
  106. Memorial de Aires (Machado, 1908}
  107. O ajudante (Walser, 1908)
  108. Jakob von Gunten (Walser, 1909)
  109. Morte em Veneza (Th Mann, 1912)
  110. A senhora Beate e seu filho (Schnitzler, 1913)
  111. No caminho de Swann (Proust, 1913)
  112. 0s subterrâneos do Vaticano (Gide, 1914)
  113. Triste fim de Policarpo Quaresma (Lima Barreto, 1916) 
  114. metamorfose (Kafka, 1917)
  115. O companheiro de viagem (Krúdy, 1918)
  116. A consciência de Zeno (Svevo, 1923)
  117. Passagem para a índia (Forster, 1924)
  118. 0 processo (Kafka, 1925} 
  119. A novela do bom velho e da bela mocinha (Svevo, 1926) 
  120. Breve romance de sonho (Schnitzler, 1926}
  121. Aurora (Schnitzler, 1926)
  122. 0 assassinato de Roger Ackroyd (Agatha Christie, 1926) 
  123. Ao farol (Woolf, 1927)
  124. Adrienne Mesurat (Julien Green, 1927)
  125. Therese Desqueyroux (Mauriac, 1927)
  126. O caso Maurizius (Wassermann, 1928}
  127. Crônica de uma vida de mulher (Schnitzler, 1928)
  128. 0 amante de Lady Chatterley (Lawrence, 1928) 
  129. Macunaima (Mário de Andrade, 1928)
  130. O som e a füria (Faulkner, 1929}
  131. O estaleiro (Onetti, 1961}
  132. O dia da coruja (Sciascia, 1961)
  133. Ninguém escreve ao coronel (Garcia Márquez, 1961)
  134. Aventura ambígua (Cheikh Hamidou Kane, 1961)
  135. Os velhos marinheiros (Amado, 1961}
  136. 0 fiel e a pedra (Osman Lins, 1961)
  137. Capim em chamas (Cyprian Ekwensi, 1962)
  138. Hora di bai (Manuel Ferreira, 1962)
  139. 0 general do exército morto (Kadaré, 1963}
  140. 0 braço direito (Otto Lara Resende, 1963)
  141. Junta-cadáveres (Onetti, 1964)
  142. 0 coronel e o lobisomem (Cândido de Carvalho, 1964)
  143. A ostra e o vento (Moacir Lopes, 1964}
  144. 0 forte (Adonias, 1965)
  145. 0 vampiro de Curitiba (Dalton, 1965)
  146. Chapadão do bugre (Palmério, 1965)
  147. A cada um o seu fSciascia, 1966}
  148. Portagem (Oriando Mendes, 1966)
  149. Tempo de migrar para o norte (Tayeb Salih, 1966}
  150. A ordem de pagamento (Sembene Ousmane, 1966}
  151. 0 casamento (Nelson Rodrigues, 1966)
  152. Dona Flor e seus dois marido (Amado, 1966)
  153. A hora dos ruminantes (José J Veiga, 1966}
  154.  O mundo alucinante (Reinaldo Arenas, 1967)
  155. Cem anos de solidão (Garcia Márquez, 1967}
  156. Jorge, um brasileiro (França Júior, 1967)
  157. Um nome para matar (Maria Alice Barroso, 1967}
  158. Ópera dos mortos (Autan Dourado, 1967)
  159. Quarup (Callado, 1967}
  160. 0 delfim (Cardoso Pires, 1968)
  161. A obra em negro (Yourcenar, 1968)
  162. O limão (Mohammed Mrabet, 1969) 
  163. A casa da água (Olinto, 1969}
  164. O velho e o mar (Hemingway, 1952)
  165. Os passos perdidos (Carpentier, 1953)
  166. O senhor das moscas (Golding, 1954)
  167. Gente da cidade (Ekwensi, 1954)
  168. A menina morta (Cornélio Pena, 1954)
  169. Noite (Veríssimo, 1954)
  170. Ciranda de pedra (Lygia, 1954)
  171. Pedro Páramo (Rulfo, 1955)
  172. Lolita (Nabokov, 1955}
  173. A chave (Tanizaki. 1956)
  174. 0 velho preto e a medalha (Oyono, 1956}
  175. Climbiê (Dadié, 1956)
  176. O Cerco (Carpentier, 1956}
  177. Entre dois palácios (Nagib Mahfuz, 1956)
  178. Grande sertão: veredas (Guimarães Rosa, 1956) 
  179. Doramundo (Geraldo Ferraz, 1956)
  180. 0 tronco (Êlis, 1956)
  181. A lua vem da Ásia (Campos de Carvalho, 1956}
  182. A pane (Dürrenmatt, 1957)
  183. A madona de cedro (Callado, 1957)
  184. 0 leopardo (Lampedusa, 1958}
  185. Nosso homem em Havana (Greene, 1958}
  186. 0 mundo se despedaça (Chinua Achebe, 1958)
  187. Gabriela, cravo e canela (Amado, 1958)
  188. 0 bebedor de vinho de palmeira (Tutuola, 1959}
  189. Eloy (Droguett, 1959)
  190. Asfalto selvagem (Nelson Rodrigues, 1959)
  191. Crônica da casa assassinada (Lúcio Cardoso, 1959)
  192. Maria de cada porto (Moacir Lopes, 1959}
  193. Pornografia (Grombowicz, 1960)
  194. A trégua (Mário Benedetti, 1960)
  195. Os flagelados do vento leste (Manuel Lopes, 1960) 
  196. Sundjata ou a epopéia mandinga (Tamsir Niane, 1960}
  197. Ópera dos mortos (Autan Dourado, 1967)
  198. Quarup (Callado, 1967}
  199. Fundador (Nelida Pinon, 1969}
  200. Tenda dos Milagres (Amado, 1969)
  201. De uma costela torta (Nuruddin Farah, 1970)
  202. Incidente em Antares (Veríssimo, 1971)
  203. A pedra do reino (Suassuna, 1971}
  204. Sargento Getúlio (João Ubaldo, 1971)
  205. 0 homem de macacão (França Júnior, 1972)
  206. A casa da paixão (Pinon, 1972)
  207. As cidades invisíveis (Calvino, 1972}
  208. 0 castelo dos destinos cruzados (Calvino, 1973) 
  209. Pantaleão e as visitadoras (Llosa, 1973)
  210. A vida verdadeira de Domingos Xavier (Luandino, 1974) 
  211. Os sinos da agonia (Autran Dourado, 1974)
  212. 0s tambores de São Luís (Montello, 1975)
  213. As velhas (Adonias, 1975}
  214. O belo imundo (Mudimbe, 1976)
  215. Essa terra (Antonio Torres. 1976)
  216. A festa (Ivan Ângelo, 1976)
  217. Galvez, o imperador do Acre (Márcio Souza, 1976)
  218. Lavoura arcaica (Raduan Nassar, 1976)
  219. Maíra (Darci Ribeiro, 1976}
  220. Kâhitu (Uanhenga Xitu, 1977)
  221. A hora da estrela (Lispector, 1977)
  222. Os tambores silenciosos (Josué Guimarãs, 1977)
  223. Três mulheres de três ppp (Paulo Emílio, 1977}
  224. Tia Julia e o escrevinhador (Vargas Llosa, 1978)
  225. A vida modo de usar (Pérec, 1978)
  226. Enquanto a noite não chega (Josué Guimarães, 1978) 
  227. A harpa e a sombra (Carpentier, 1979)
  228. Dois crimes (Ibarguengoitia, 1979)
  229. O castelo branco (Pamuk, 1979}
  230. 0 nome da rosa (Eco, 1980)
  231. Mayombe (Pepetela, 1980}
  232. Abril despedaçado (Kadaré, 1980}
  233. 0 rei de Ketu (Glinto, 1980)
  234. Crônica de uma morte anunciada (Garcia Márquez, 1981)
  235. Ninguém ama os náfragos (Mário Pontes, 1981)
  236. Noites das mil e uma noites (Mahfuz, 1982)
  237. A casa dos espíritos (Allende, 1982)
  238. Memorial do convento (Saramago, 1982)
  239. 0 enteado (Saer, 1983)
  240. A torre ferida por um raio (Arrabal, 1983)
  241. Yaka (Pepetela, 1984)
  242. Rastro de fogo que se afasta (Luis Goytisolo, 1984)
  243. 0 passo-bandeira (França Júnior, 1984)
  244. Viva o povo brasileiro (João Ubaldo, 1984)
  245. Justiça (Durrenmatt, 1985)
  246. Os varões assinalados (Tabajara Ruas, 1985)
  247. 0 caso do martelo (José Clemente Pozenato, 1985)
  248. Sombra severa (Carrero, 1986)
  249. Bufo e Spallanzani (Rubem Fonseca, 1986)
  250. Adriana em todos os meus sonhos (René Depestre, 1988)
  251. Dossiê H (Kadaré, 1989)
  252. Texaco (Patrick Chamoiseau, 1992)
  253. Lituma nos Andes (Vargas Llosa, 1993)
  254. Desonra (J M Coetzee, 1999)
Como vocês podem ver eu contei errado quando disse que tinha 252, mas isso não vai nos desanimar, certo? Pelo contrário, o desafio aumenta!

Sugiro também a quem fizer o plano de leitura, que baixe pelo link aqui a mesma lista que foi colocada no blog, em pdf. Alguns títulos aqui expostos estão com erros de português e no pdf eles estão corretos. 

Dúvidas? Sugestões? Ansiedade? Não deixe de comentar!

Abraço!

Próximo Livro - Clara dos Anjos (Lima Barreto, 1948)

Bom dia, colegas de leitura!!

Gostaram dos livros que postei antes? Infelizmente não avisei com antecedência para que pudéssemos ler juntos. Dessa vez, todavia, estou fazendo!


Próxima obra que lerei não está na lista e já muda completamente o estilo de livro! Se chama Clara dos Anjos, de Lima Barreto e está no Domínio Público de graça! No meu caso, estarei lendo a versão que comprei na Bienal do Livro, por R$2,50. 

O autor (Afonso Henrique de Lima Barreto) nasceu em 1881, depois da morte do nosso amigo José de Alencar. A obra de Clara dos Anjos ficou completa em maio de 1922, mas o autor logo faleceu em novembro desse ano com um ataque cardíaco, levando a obra a ser publica pós-mortem em 1948. Enfim, outra obra de fim de carreira, como o Encarnação. Aliás, para quem já leu minha pequena resenha sobre o último livro de José de Alencar, uma curiosidade. Sabe qual é o nome da mãe de Lima Barreto? Amália! Que coincidência, não?

E, sobre o livro em si, Clara dos Anjos conta a história de uma mulher pobre e negra, de família simples e trata de forma bem clara sobre preconceito racial e a diferença de classes sociais. Por ser um livro bem mais recente, sua escrita é mais moderna e despojada. Comecei já e está parecendo bem legal!

Se você for ler o livro, comente suas impressões e, em breve, trarei o resumo para o conhecimento de todos.

Abraços!

Encarnação (José de Alencar, 1877)? É livro religioso?

Após terminar minha viagem ao mundo das índias em Iracema, decidi ler algo diferente e, nesse momento, me deparei com um livro, que também comprei por R$2,50 na Bienal do livro, chamado Encarnação, também do José de Alencar. Esta obra também está presente em domínio público, podendo ser lido completamente de graça. Fantástico, não?

Encarnação foi o último livro do autor; que morreu meses depois, no dia 12 de dezembro de 1877 com tuberculose. O livro anterior a esse foi o conhecido Senhora, que se tornou um clássico e está na lista do Mussa, logo lerei também. Porém, é bem curioso pensar essa última obra nesse contexto, especialmente porque o tema principal, para mim, é a aceitação da morte e o seguimento da vida. Há quem diga, também, que nesse livro ele expressa um pouco de sua visão espiritualista anterior a morte, mas eu acho um pouco exagerado e eu vou explicar durante a resenha o porque dessa minha opinião.
Posso garantir a vocês desde já que é um livro muito bom, com personagens bem elaborados e cativantes, de leitura bem agradável (menos poética que Iracema, mas muito flúida) e que me surpreendeu várias vezes, a ponto de ficar pasma e parada na página pensando - não acredito que isso aconteceu! O final também é maravilhoso e eu recomendo muitíssimo mesmo! Leiam!
Depois disso tudo, já está na hora de irmos para a história do livro, não? 

"Considerava o estado conjugal uma simples partilha de vida, de bens, de prazeres e trabalhos.
Estes, não os queria; os mais, ela os possuia e gozava, mesmo solteira, no seio da família.

Era feliz; não compreendia, portanto, a vantagem de ligar-se para sempre a um estranho, no qual podia encontrar um insípido companheiro, se não fosse um tirano doméstico."

A obra tem dois grandes personagens principais. A que começa falando no capítulo 1 é Amália. Ela é uma jovem formosa, rica, na casa de São Clemente, e de personalidade muito inquietante. Entre ironias, opiniões incomuns para uma jovem da época, seduções, está a relação dela com o outro personagem principal, que aparece no capítulo 2: Hermano, seu vizinho.
Hermano é um homem calado e rico que se casa com Julieta, uma mulher simples da qual muitos recusaram que os dois poderiam ficar juntos. Apesar dessas dificuldades, os dois ficam noivos, casam e moram juntos ao lado de Amália.
A jovem vizinha observava o novo casal, os admirando pelo seu amor e começando a misturar seus sentimentos de inveja e respeito por Julieta. Isso tudo, porém, se complexifica quando, ao tentar Julieta ter um filho, os dois morrem, deixando Hermano sozinho.

" - Minha alma não podia separar-se da tua, Hermano."

A partir desse momento Hermano finge estar bem para a maioria das pessoas, mas fica perceptível a presença de comportamentos incomuns tanto para seus amigos quanto para a própria Amália, que observa o viúvo escondido. O personagem anda sozinho com flores, como se fosse entregar para alguém; se encontra com uma mulher de cabelos negros que, de longe, lembra um pouco de Julieta e mantém dentro de sua casa os cômodos da esposa falecida ainda inteiros e preparados, como se ainda estivesse viva
Amália, que é uma personagem de desafios, vai se sentindo cada vez mais seduzida por esse viúvo, apesar das curiosas atitudes deste e decide que é esse o homem que ela quer casar. Isso mesmo, ela decide se casar com um homem que tem fixação pela ex-esposa morta. E, em contraponto, ela também demonstra, apesar de seu amor por Hermano, um grande interesse pela vida de Julieta. É um sentimento bastante dúbio.

"Por quem Amália, porém, mais se interessava era pela pessoa que já não existia: pela mulher que Hermano amava. Ela a considerava já como uma irmã sua; evocava a sua imagem; falava-lhe, e ficava contente de vê-la feliz por ter inspirado ao marido aquele amor indelével."

O livro começa a percorrer com Amália tentando se aproximar de Hermano, envolvendo família e amigos para que os unisse. Durante tentativas fracassadas e vitoriosas que se unir a ele, sua percepção começa ficar mais clara sobre o homem que ama. Parece que, de fato, a prisão dele a memória de Julieta é mais forte do que Amália pode controlar.

"Henrique Teixeira compreendeu logo o sentimento de Amália. Essa moça, outrora tão positiva, pairava agora no mundo da fantasia. Desde que Julieta vivia para o marido, e o acompanhava, ainda e sempre, esse marido não era para a moça um viúvo, e o seu casamento com outra mulher seria um crime, um adultério."

Mesmo assim, Amália permanece firme em se casar com ele. Todavia, tinha uma condição: de que não houvesse no novo marido nenhum sinal de arrependimento ou de hesitação, propondo até se separar dele (algo muito sério naquela época). Apesar de Hermano ter prometido que jamais haveria de ocorrer, o receio por trás da determinação da menina se tornava cada vez mais presente.

"O que ela temia sobretudo era um erro fatal."

Não demorou muito para que a jovem esposa percebesse o quanto jamais ocuparia o espaço da antiga mulher. Era proibido que se assentasse onde Julieta sentou, usasse seu cômodo ou mudasse alguma regra que a ex-mulher havia colocado sobre a casa. Por fim, Hermano foi demonstrando vários sinais de arrependimento e de incapacidade de seguir em frente.

"- Tenho um pressentimento!
- Não diga isto!
- Não serei sua mulher, Hermano!"

O relacionamento já estava em crise. Amália ficara infeliz, decidida em separar e Hermano não queria prejudicar sua esposa com a separação, propondo se matar. Isso cria uma nova crise no relacionamento, agora com Amália não desejando mais que o marido fizesse algo contra sua vida, tentando ver o que poderia fazer para salvar o casamento. Foi quando ela, procurando ver se o marido tinha uma arma, descobre o mais assustador segredo do amado. Essa é a melhor parte do livro, então não contarei!

Esse segredo revelará como Amália vai lidar com o novo marido e quais posições tomará. Também é pensando nesse segredo que o autor colocou o nome do livro. E, por não se tratar de uma encarnação, no sentido espírita mas no sentido simbólico, discordo que haja uma posição espiritualista no livro.

E o que vocês acham? Qual que vocês acham que é o final do livro?
Espero que vocês gostem tanto dele quanto eu! 

Um abraço e até a próxima leitura. 

Ninguém lê Iracema (José de Alencar, 1864).

Abra então este livrinho, que lhe chega da corte imprevisto. Percorra suas páginas para desenfastiar o espírito de cousas graves que o trazem ocupado” (ALENCAR, 1865)

Devo ter demorado duas horas para ler Iracema. Ela me acompanhou no metrô e, posteriormente, em horário livre antes da minha faculdade noturna. E, mesmo não estando na lista, foi uma experiência bem interessante ler tal livro. Então, apesar de raramente se ouvir um conselho desse, digo: leia Iracema! Foi R$2,50 na Bienal do Livro e expanda seus horizontes sobre livros que você ouve falar quando está na escola.

Este livro é pois um ensaio ou antes amostra. Verás realizadas nele minhas ideias a respeito da literatura nacional e acharás aí poesia inteiramente brasileira, haurida na língua dos selvagens” (ALENCAR, 1865)

O autor nasceu em 1829 e o seu modo de encarar a literatura é bem diferente do que lemos hoje. A história fala sobre índias virgens e heróis românticos, exatamente como você ouve na aula de literatura do Ensino Médio. Isso, todavia, não tira a preciosidade dessa literatura! Pelo contrário, o livro me foi surpreendente pela qualidade poética, por suas reviravoltas, como elabora os personagens de forma não tão tradicional, pelo conhecimento da cultura, e, principalmente, o final.

“O cristão contempla o acaso do sol. A sombra, que desce dos montes e cobre o vale, penetra sua alma. Lembra-se do lugar onde nasceu, dos entes queridos que ali deixou. Sabe ele se tornará a vê-los?”

O livro se desenrola a partir do encontro de Iracema, índia virgem, filha do pajé, que guarda o segredo de Jurema (uma divindade da comunidade) com um homem branco, cristão, guerreiro, chamado Martim, que foi encontrado ferido. No começo a relação era tranquila, a tribo o recebeu bem, mas ao desenvolver da história se torna mais difícil.

“ - E a presença de Iracema que perturba a serenidade no rosto estrangeiro?
Martim pousou brandos olhos na face da virgem.
 - Não, filha de Araquém: tua presença alegra, como a luz da manhã. Foi a lembrança da pátria que trouxe saudade ao coração pressago.
- Uma noiva te espera?
O forasteiro desviou o olhar.”

Além das dúvidas se permanece na terra ou não, parte da tribo não aceita que Martim esteja sendo protegido e integrado ao grupo, ameaçando-o. Para piorar a situação, seus sentimentos por Iracema vão crescendo. Nesse momento, o herói fica entre fugir ou lutar, deixar Iracema padecer ou estar ao lado dela, se fixar naquela terra ou reconstruir em outro lugar.

“ - As flores da mata já abriram os raios de sol; as aves já cantaram; disse o guerreiro. Por que só Iracema curva a fronte e emudece?”

Assim, Martim tenta fugir várias vezes, algumas sem Iracema, outras com ela, tendo também de enfrentar lutas. Apesar de ter o apoio temporário do pajé da tribo, deve receber a benção dos deuses para poder não prejudicar mais ainda a amada, que guarda tal segredo.

“- Estrangeiro, toma o último sorriso de Iracema... E foge!”

Dentre maldições e muitos rivais, o herói acha suporte no irmão de Iracema, Poti, que o acompanha e pensa, junto com a virgem, como fugir e reconstruir a vida. Todos os escapes são noturnos e friamente calculados para não serem pegos pelos guerreiros tabajaras.

“Os olhos de Iracema, estendidos pela floresta, via o chão juncado de cadáveres de seus irmãos; e longe o bando de guerreiros tabajaras que fugia em nuvem negra de pó. Aquele sangue que enrubescia a terra, era o mesmo sangue brioso que lhe ardia a face de vergonha.
O pranto orvalhou seu lindo semblante.
Martim afastou-se para não envergonhar a tristeza de Iracema.”

O livro elabora muito bem as separações e os encontros, mostrando detalhadamente como é doloroso ter que fugir e se separar da pessoa amada. Além disso, Iracema é um personagem muito ativo e curioso – apesar dos preconceitos da época – porque ela se arrisca. Seus sentimentos são muito fortes e vão se tornando cada vez mais principais ao texto ao longo do livro.

“ – Quanto mais afunda a raiz da planta da terra, mais custa a arrancá-la.
Cada passo de Iracema no caminho da partida é uma raiz que lança no coração do hóspede.”

Também é progressiva a estabilidade do livro. Quando chega aos seus últimos capítulos, o casal já conseguiu uma terra para morar, com alegria e conforto, onde Poti os ajuda. Porém, fica perceptível, tanto na forma escrita tanto na quantidade de páginas que falta que esse não é o fim – o que me surpreendeu. Será que haverá outra guerra? Eles terão que voltar? E o segredo de Jurema?

“A alegria morava em sua alma. A filha dos sertões era feliz, como a andorinha, que abandona o ninho dos pais e peregrina para fabricar novo ninho no país onde começa a estação das flores.”

A partir dessa fixação do casal em território novo que, para mim, faz a história muito peculiar. Martim, junto com Poti, precisam lutar, caçar e enfrentar outros povos enquanto Iracema fica em casa, os esperando, por meses. Isso possibilita que a antiga virgem comece a se sentir solitária, triste e ter um enorme pavor de ter seu amado morto, sem que possa estar por perto.

“A voz de Iracema gemia. Seu olhar buscou o esposo.”

De forma similar o livro apresenta os sentimentos de Martim, também muito receoso de ter Iracema talvez partido nos dia que ele esteve longe. Isso também muda o relacionamento, que antes era apresentado como tipicamente utópico para a realidade.

“ – Chora o cajueiro quando fica tronco seco e triste. Iracema perdeu sua felicidade, depois que te separaste dela.
- Não estou junto a ti?
- Teu corpo está aqui; mas tua alma voa à terra de teus pais e busca a virgem branca que te espera.”

Tudo isso se agrava ainda mais quando Iracema tem um filho – que se chama Moacir – durante o tempo que Martim está viajando. Nesse tempo, para ajudar a recém mãe, vem um guerreiro da tribo dela, Caubi que ouve o sofrimento da personagem. Ali surge a questão de morrer, de ser abandonado, de se sentir amado ou não. E, no meio desses sentimentos surge o final.

Agora eu te pergunto: Como você acha que termina?

Uma dica/spoiler: O livro termina com a frase – “Tudo passa sobre a terra.” 
(Mas, o que será que passou?)

Espero que tenha te intrigado para ler o livro! Se precisarem, posso emprestar.

Um abraço e boa leitura! 

Pré-projeto Inaugural - Do que estou "me livrando"?

Olá, gente! 
Estou muito feliz de começar esse blog desde já! 
Isso porque o blog, antes de ser criado, já tem uma história, um motivo, uma razão de ser que me deixou muito animada. 

Tudo começou quando comecei a fazer cursos na Estação das Letras, aqui no Rio de Janeiro. Estava eu de férias de minhas duas faculdades e me senti motivada a estudar algo que eu gosto muito: o mundo dos livros. Comecei a fazer um curso sobre Mercado Editorial e me apaixonei. Percebendo eu que teria tempo livre decidi fazer outro curso sobre como se escreve um romance. Nesse curso tive aula com três escritores realmente marcantes, mas aqui eu vou destacar o nome do Alberto Mussa , não porque ele seja maior autor do que os outros dois, mas ele indiretamente deu motivo para esse blog existir. 

Na sala eu não era a mais nova, mas estava bem longe de ter a experiência e a idade da maioria dos meus colegas no curso. Nunca publiquei um livro, nem um conto, nem tinha grandes palavras para descrever eventos literários nem editoras. Tudo o que tinha era curiosidade, até um tanto perturbadora. Como um original chega? Como são publicamos? O que ocorre dentro de uma editora? O que faz um livro famoso? Como é, na maioria dos autores, o processo de escrita? Quantos anos? Algumas dessas perguntas tem respostas, outras não e outras, apesar de terem respostas, é melhor não saber. Naquele momento eu queria saber sobre escrever romances. Foi quando o autor (na hora, professor) entregou para cada aluno uma lista de oito páginas com o título de "Romance Moderno". Nessa lista tinha nomes e nomes de livros famosos, apesar de ter um ou outro bem aleatório, com o ano que foi publicado e o nome do autor. 

Alberto Mussa, então, vendo que todos tinham a lista em mãos disse que eram os nomes dos livros básicos que um bom leitor/ escritor deve ler. Nessa lista, é bom dizer, constam 252 títulos de livros. Digo títulos porque existem sagas e coleções como Guerra e Paz e O Tempo e O Vento. Mas as pessoas a minha volta sorriam, comentando dos nomes dos livros, de quando leram, seus detalhes e ideias. O próprio professor nos deu a lista marcado com um asterisco os livros que o filho dele já havia lido, sendo este mais novo que eu e as marcações, sem dúvida, passarem de 100 títulos. E eu, que sempre me achei uma boa leitora, que conhecia alguma coisa, estava querendo me esconder, porque não tinha lido nem 10 livros que ali estavam. Desde então essa lista ficou na minha cabeça. Eu não queria ser uma má leitora , muito menos uma má escritora e, para piorar, fiquei com o ego ferido que é a pior parte. 

Esse evento todo me levou a pensar o que eu estava perdendo em deixar tantos livros de lado. Durante minha vida toda vou a livrarias, fico quase uma hora selecionando qual livro vou ler e leio especificamente. Mas, se tais livros se tornaram clássicos, deve haver algum motivo, nem que eu leia e descubra que são ruins. Alberto nos falou que deveríamos tentar pelo menos ler 100 páginas de cada livro desse

Então o Me Livrando tem isso: Tentar ler pelo menos 100 páginas dos 252 títulos dessa lista.
Mas não é só isso.
Ele é para pessoas como eu, que nunca tiveram coragem de ler alguns livros, que sempre deixaram para depois e que precisam de uma leitura sincera deles, sem crítica literária ou recomendação escolar. Ler e conhecer, sem preconceitos. Nós aqui estaremos nos ajudando, trocando ideias, talvez até trocando livros e nos abrindo a novos horizontes entre os clássicos do romance.

Esse era meu plano para se iniciar em 2014, mas, por ocasião, decidi fazer um pré-projeto, que leva a outra historinha, um pouco menor. 
Tendo eu em vista comprar livros para a lista fui a Bienal do Livro, ver se havia alguma promoção de clássicos. E tinha! Mas, junto com os da lista, acabei levando alguns livros que não estão lá. E serão esses que lerei até o final do ano! Será um preview do que planejo ano que vem com a lista. O que vocês acham?

Sinceramente, estou achando que vai ser muito legal! Espero que vocês possam participar, sem vergonha mesmo e que tenhamos experiências ótimas aqui! Ainda essa semana já terei um título de livro para começarmos a brincadeira.

Um Abraço!