Final de ano no Me Livrando

Ho Ho Ho, vocês acham que eu me esqueci do blog? É claro que não!

Mas o meu atraso se deve principalmente porque não sabia qual livro ler depois do Fantasma da Opera. Todos os livros de literatura aqui de casa ou estavam na lista ou já tinha lido! Demorei cerca de uma semana para ter a sorte de passar numa feira de livros, no Largo do Machado (RJ), e comprar um livro inusitado que nem sabia existir. Foi 10 reais e tenho apreciado muito.

Então, recebam com aplausos o livro que estou me deliciando agora \o/:
A Brincadeira de Milan Kundera

O autor é conhecido por ter escrito o livro que vocês já viram aqui no blog chamado A insustentável leveza do ser. Para lembrar mais sobre o autor e sua obra, veja no meu outro post. Este, que estou lendo hoje, foi o primeiro romance dele a ser publicado em 1967 e tive muita curiosidade de procurar ler outro livro do mesmo autor porque ele tem uma forma escrita muito rica. É claro que esse, por ser escrito quase vinte anos antes do A insustentável leveza do ser, tem outro linguajar, apesar de, novamente, tratar sobre o comunismo, partidarismo, romance e infidelidade. Porém, esses temas são trabalhados de forma completamente outra, o que mostra a genialidade dele.
Por enquanto, estou na página 70, sendo ter 402 páginas. Pretendo ainda essa semana terminar e, quem sabe, ler mais um livro até o ano novo! Alguma sugestão de final de ano?

Então ainda temos muito drama para ler antes de 2013 acabar e, ano que vem, vocês sabem: Projeto Me Livrando. Lerei uma parte daqueles livros da lista até conseguir acabar daqui há muitos anos.

Boas leituras e em breve mais novidades!

O Fantasma da Ópera - Gaston Leroux (segunda parte)

Olá, amigos leitores!

Enfim, a segunda parte do meu post sobre o livro O fantasma da Ópera. E, com muita alegria, a final. Quero contar um pouco quais foram minhas impressões, especialmente porque sempre fui fã do teatro, do filme, do musical e tudo que circulava sobre a história do Fantasma. Acredito que, muitos outros como eu, são fãs antes mesmo de ler o livro, o que é muito curioso, mas comum. 

E, parece ser bem comum esse comentário, mas o livro é completamente diferente da obra, tanto do teatro quanto do cinema. Mas eu acho que é diferente em um nível até complexo porque os personagens, para mim, tem outro papel. Fico impressionada que, as últimas 100 páginas são voltadas para o relato do Persa, que é absolutamente esquecido no musical e na peça. Sem ele, não haveria relato sobre a história que se segue! E a madame Giry? Não aconteceu nada daquilo que se fala no cinema, da relação dos dois. Ela, na verdade, é um personagem vazio, sem expressividade e bastante fútil. A briga da troca de cartas também não ocorre. Fora que, pela narrativa tentar ser muito concreta, cheia de relatos e detalhes, não há o romanceamento que se vê no musical e no cinema. O fantasma da Opera, que no livro só se chama de Érik, é um personagem completamente perturbado e claramente psicótico. Carlota também é um personagem que aparece muito pouco, sem fazer grandes contraposições com a Christine. E a própria Christine me surpreendeu muito.

Primeiro porque ela desafia o Raoul. Com um anel de ouro, dado pelo fantasma, no começo, ela parece encantada pelo anjo da música, e comprometida com ele (não, necessariamente, em um sentido amoroso). Como falei no post anterior, ela não reconhece o Raoul na primeira vez, só depois se aproximando que lembra e, ao pedi-la em noivado, ela apresenta o anel do fantasma e disse que não vai noivar coisa alguma! Onde a Christine do filme faria isso? Ela é completamente apaixonada desde o primeiro instante na obra do teatro. Me soou que ela tem muito mais autonomia e decide pelo Érik no começo. Só depois que a memória dela se aproxima de Raoul, ela se apaixona e vai em direção a ele, ainda muito assustada. Isso no começo do livro.
Segundo, os sentimentos dela são muito mais complexos no livro do que na peça. No musical, parece que ela é besta, apaixonada pelos dois. Ora, fica muito claro no livro que ela não é apaixonada coisa alguma pelo fantasma! Especialmente quando eles se conhecem. No começo, quando era só uma voz, ela se sentia encantada, hipnotizada e seduzida, mas jamais apaixonada. Depois, quando a conhece, ela tem um profundo horror. Tanto horror que no final do livro, ela tenta se matar (e não consegue) quando está com o fantasma. O Don Juan Triunfante que o Fantasma escreve, também, não é interpretado, como é visto no filme/musical.

E, o mais interessante, para mim, é o final. O começo tem as cenas clássicas: o lustre caindo, o enforcamento, a nova diretoria chegando, um mistério por trás do fantasma e a voz que a Christine ouve. Aliás, ela não faz ideia de que a voz é o fantasma.
O fim não é assim. O fim é terror puro, suspense e apavorante. Você fica angustiado com o Raoul e o Persa indo atrás da Christine. Não é simples que nem o musical. Ou a Christine casava com o fantasma ou ele explodia o Opera! E, por isso, é bem incrível.

Olhando por essa perspectiva, o filme é uma completa re-adaptação do livro em sua história. Infelizmente não há poesias, com as músicas. E como faz falta! Se formos mais a fundo e compararmos o livro com a última peça baseada no Fantasma da Opera (que seria a continuação), Love Never Dies, ai podemos ver que é outra história totalmente outra, sem quase relação com a mensagem que o livro original queria dizer! Quando vi Love Never Dies já achei completamente diferente da história. Agora, vendo a relação da Christine com o fantasma no livro, vejo que é absolutamente impossivel que faça algum sentido essa continuação. Christine estaria se contorcendo no túmulo se soubesse que inventaram o Love Never Dies, de tão absurdo e doentio que é. Todavia, não posso negar que é outra bela peça!

Então, é isso! Comentarios? Sugestões de livro? 

Um abraço e boas leituras!

O Fantasma da Ópera - Gaston Leroux (primeira parte)


Olá, meus amigos leitores! Tudo bem? Espero que sim!

Estou seguindo na minha leitura lerda do livro que está no título: O Fantasma da Ópera!

E dividi minha análise do livro em dois momentos, porque eu ainda estou na página 124, tendo ainda muito o que acontecer.

"A estranha conversa com Christine o perturbava por inteiro!... Pensava menos em Christine do que no que a cercava, e esse "cercar" era tão difuso, tão nebuloso, tão inacessável, que ele experimentava um mal estar muito curioso e muito angustiante."

O livro foi escrito em 1910 e foi, sem dúvida, a obra mais famosa de Gaston Leroux. Ele fez um trabalho muito especifico em tentar aproximar a realidade aquilo que escrevia, contando de artigos de jornal, relatos e entrevistas sobre pessoas que souberam desse grande mistério que circulou o Opera de Paris. Sei que, no meio desses relatos, ele recria um romance entre a Christine e Raoul, junto com outros elementos bem romanceados como os sentimentos dos personagens. 

Eu estou lendo a versão da L&PM pocket e receio dizer que há muitos erros de tradução e reliteração ao português. No próprio trecho que eu coloquei já dá para perceber o excesso de "muito" e, um detalhe que se encontra no livro, reticências em demasia. Há outros, como o termo "Daaé pai", que inglês é Daaé's Father, sem a readaptação. 

Sobre a história em si, o tema central é o mesmo das grandes peças de teatro: um fantasma assombra o Opera de Paris e Christine parece ser vítima deste, utilizando-se do discurso de que seria o Anjo da Música. Mas, apesar de a peça continuar a ser bem parecida com o livro, há algumas diferenças interessantes. Por exemplo, quando Christine canta, é comum que passe mal depois e que se desgaste completamente após a música, por tamanho esforço que ocorre. Raoul, no primeiro momento, não é reconhecido pela cantora quando disse ser seu amigo de infância. E, além disso, cria a hipótese de que ela é amante do Fantasma da Opera, tendo até desprezo por ela. E, mesmo tendo ela explicado a situação, ele a chama mentirosa. Fora que, para mim, no livro o personagem dele é muito arrogante e mesquinho, por ser rico. 

É um livro muito interessante de se ler! Vale a pena. Na próxima parte contarei mais detalhes da história que eu omiti, junto com as grandes surpresas que ainda virão!

Você já leu o livro? O que achou? Comente :)!

Abraços e boas leituras!!

Assim falou Zaratustra - F. Nietzsche

Me sinto vitoriosa porque eu finalmente terminei o Assim falou Zaratustra, do nosso amigo Friedrich Nietzsche. Quem leu meu último post sabe do sofrimento que passei durante a leitura deste por causa de sua filosofia e de sua linguagem. Várias vezes pensei em desistir, mas insisti e não me arrependi.

O livro conta a história de Zaratustra, uma pessoa a qual não sabemos a história anterior. Se inicia quando ele, que estava a montanha, sente que é hora de descer e passar seus ensinamentos. O personagem é apresentado no estilo profético, de mestre, quase messiânico e, nos seus ensinos, se baseia principalmente a necessidade da superação do homem, já que Deus morreu e a valorização do Super-homem. Essa mensagem, se perceber o contexto histórico em que o autor viveu, tem um grande valor simbólico e é por esse livro em que se espalha a mensagem de que Nietzsche matou Deus. A exaltação do homem e de sua autonomia frente as “crendices” é o tema central durante toda a obra.

Sua narrativa é basicamente circular entre a descida de Zaratustra a cidade e o retorno a montanha quando ele se sente exausto com a demanda que o povo trás. Muitas vezes ele se deprime, chora, ri, quer fugir e percebe o quanto as pessoas não entendem a mensagem que se propõe.

De fato, a leitura é cansativa e o início do livro, a qual a base é os grandes sermões de Zaratustra é um tanto entediante. Todavia, quando o autor retoma a narrativa e principalmente nos capítulos finais, se torna mais interessante. No meu caso, como estudo Teologia, achei muito interessante sua argumentação sobre a morte de Deus e a apropriação de outras religiões, a qual se destaca a cristã, na formação da identidade desse profeta. Alguns são os exemplos: os sermões são paralelos aos da montanha, de Jesus. Além disso, ele faz modificações de conhecidas frases do cristianismo como “não só de pão o homem viverá” e Zaratustra completa “mas também de uma bela carne!” ou, outra situação, que ele fala do Reinado do homem, retomando a ideia do Reino de Deus.  Ele também faz ironias o tempo inteiro, tanto com os próprios personagens quando as pressuposições religiosas, dizendo que “só se entrará no Reinado se formos como vacas”. Enfim, para pessoas que possuem uma mentalidade crítica sobre a religião, é um livro muito rico.

O próprio personagem de Zaratustra é muito carismático, sempre enfatizando o rir, dançar, se divertir e o sarcasmo. Isso atrai a pessoa ao texto e traz a curiosidade de qual será o final do profeta.

Além disso, li pela tradução da Martin Claret, que eu percebi poucos erros de português (como usar tanto a palavra bailar e dançar para a mesma situação) e se utilizou do termo Super-Homem, que é uma tradução controvérsia ao termo utilizado pelo autor.

Para terminar, o saldo foi positivo e recomendo, apesar de ter plena certeza que é bem exaustivo e que, para pessoas religiosas, pode ser assustador (o que não foi no meu caso). Novamente, desculpe a demora na leitura porque foi bem difícil e não conseguia ler mais de 5 páginas por dia, problematizando o ritmo que normalmente tenho a ler.

E para a próxima semana... Surpresa!
Já digo que é um livro que nunca li, mas que conheço a história de cor.
Dica: se tornou peça de teatro e filme.


Um abraço e boas leituras!

Qual romance você está lendo? - Folha de São Paulo.

Antes do Artigo, tenho que me justificar.

Boa tarde leitores! Tudo bem?
Logo após minha tragédia grega com o Homero, decidi ler um livro que muitas vezes é comentado pelo público que é o Assim falou Zaratustra, do Nietzsche. Este não me parece estar muito conectado com o que compreendemos normalmente por ficção, por ter um apelo muito filosófico e confesso que é isso que está me dificultando na leitura. Estou, hoje, na página 104 e, por minha vontade, desistiria. Todavia, acredito que, por não se tratar de uma narrativa qualquer, não posso simplesmente julgar que o autor não conseguiu captar a atenção do leitor. Afinal, o escritor é filósofo e nunca se propôs a produzir um romance.
Por isso estou insistindo.
A minha versão, da Martin Claret, tem 270 páginas, então devo demorar mais uma semana ou mais para terminar e, ao final dele, trarei o que entendi da história para contribuir.

Por enquanto, para não deixar o blog mais morto, trouxe um artigo da Folha de São Paulo, sugerido pelo meu namorado e que eu considerei muito interessante. Espero que gostem!

Qual romance você está lendo?

Sempre pensei que fosse sábio desconfiar de quem não lê literatura. Ler ou não ler romances é para mim um critério. Quer saber se tal político merece seu voto? Verifique se ele lê literatura. Quer escolher um psicanalista ou um psicoterapeuta? Mesma sugestão.

E, cuidado, o hábito de ler, em geral, pode ser melhor do que o de não ler, mas não me basta: o critério que vale para mim é ler especificamente literatura --ficção literária.
Você dirá que estou apenas exigindo dos outros que eles sejam parecidos comigo. E eu teria que concordar, salvo que acabo de aprender que minha confiança nos leitores de ficção literária é justificada.
Algo que eu acreditava intuitivamente foi confirmado em pesquisa que acaba de ser publicada pela revista "Science" (migre.me/gkK9J), "Reading Literary Fiction Improves Theory of Mind" (ler ficção literária melhora a teoria da mente), de David C. Kidd e Emanuele Castano.

Uma explicação. Na expressão "teoria da mente", "teoria" significa "visão" (esse é o sentido originário da palavra). Em psicologia, a "teoria da mente" é nossa capacidade de enxergar os outros e de lhes atribuir de maneira correta crenças, ideias, intenções, afetos e sentimentos.

A teoria da mente emocional é a capacidade de reconhecer o que os outros sentem e, portanto, de experimentar empatia e compaixão por eles; a teoria da mente cognitiva é a capacidade de reconhecer o que os outros pensam e sabem e, portanto, de dialogar e de negociar soluções racionais. Obviamente, enxergar o que os outros sentem e pensam é uma condição para ter uma vida social ativa e interessante.
Existem vários testes para medir nossa "teoria da mente" --os mais conhecidos são o RMET ou o DANVA, testes de interpretação da mente do outro pelo seu olhar ou pela sua expressão facial. Em geral, esses testes são usados no diagnóstico de transtornos que vão desde o isolamento autista até a inquietante indiferença ao destino dos outros da qual dão prova psicopatas e sociopatas.

Kidd e Castano aplicaram esses testes em diferentes grupos, criados a partir de uma amostra homogênea: 1) um grupo que acabava de ler trechos de ficção literária, 2) um grupo que acabava de ler trechos de não ficção, 3) um grupo que acabava de ler trechos de ficção popular, 4) um grupo que não lera nada.
Conclusão: os leitores de ficção literária enxergam melhor a complexidade do outro e, com isso, podem aumentar sua empatia e seu respeito pela diferença de seus semelhantes. Com um pouco de otimismo, seria possível apostar que ler literatura seja um jeito de se precaver contra sociopatia e psicopatia. Mais duas observações.
1) A pesquisa mede o efeito imediato da leitura de trechos literários. Não sabemos se existem efeitos cumulativos da leitura passada (hoje não tenho tempo, mas "já li muito na adolescência"): o que importa não é se você leu, mas se está lendo.
2) A pesquisa constata que a ficção popular não tem o mesmo efeito da literária. A diferença é explicada assim: a leitura de ficção literária nos mobiliza para entender a experiência das personagens.
"Como na vida real, os mundos da ficção literária são povoados por indivíduos complexos cujas vidas interiores devem ser investigadas, pois são raramente de fácil acesso."
"Contrariamente à ficção literária, a ficção popular (...) tende a retratar o mundo e as personagens como internamente consistentes e previsíveis. Ela pode confirmar as expectativas do leitor em vez de promover o trabalho de sua teoria da mente."

Em suma, o texto literário é aquele que pede esforços de interpretação por aquelas caraterísticas que foram notadas pelos melhores leitores do século 20: por ser ambíguo (William Empson), aberto (Umberto Eco) e repleto de significações secundárias (Roland Barthes).

Na hora de fechar esta coluna, na terça-feira, encontro a mesma pesquisa comentada na seleção do "New York Times" oferecida semanalmente pela Folha. A jornalista do "Times" pensou que a leitura literária, ajudando-nos a enxergar e entender os outros, facilitaria nossas entrevistas de emprego ou nossos encontros românticos.
Quanto a mim, imaginei que, na próxima vez em que eu for chamado a sabatinar um candidato, não esquecerei de perguntar: qual é o romance que você está lendo? E espero que o candidato mencione um livro que conheço, para verificar se está falando a verdade.

Por: Contardo Calligaris

Odisséia Fracassada (HOMERO da depressão)

Olá, leitores! Tudo bem com vocês?

Vim avisar que tive um azar problema no meu percurso literário que estava tendo! Comecei a ler A Odisséia de Homero, mas o meu livro, por ser muito muito muito velho, se despedaçou enquanto eu lia. Por isso, diferentemente da minha promessa de ler pelo menos 100 páginas, tive que interromper minha aventura na página 58.

Todavia, queria trazer para vocês o pouco que eu consegui trazer do livro!
Primeiramente, é importante se lembrar que não há confirmação se Homero realmente existiu. O que existe são obras que, muitas vezes, são dada a autoria por ele. Há até quem diga que o nome Homero seja a síntese de vários autores. E, no caso da Odisséia, ele constrói a mitologia grega (em forma de ficção, mas também com um sentido teológico para a época) baseada em concepções já difundidas na sociedade, na qual precisava de aprofundamento. Isso tudo 8 séculos a.C. aproximadamente.

Infelizmente, não tenho como trazer muito sobre a história em si. Até onde eu vi, em forma de prosa, se constituia na narrativa de Telêmaco, filho de Ulisses, que se vê em crise sem saber qual foi o paradeiro de seu pai depois de uma guerra, agregando ao fato de ter uma multidão de pessoas acampadas em sua casa querendo pedir a mão da sua mãe como esposa, já que, supostamente, o marido dela havia falecido. Nisso, ele segue em uma viagem, banhada de festas e heroismo, com a benção de Zeus, em busca de seu pai. 
Me parecia bem legal! Provavelmente quando meu Kindle chegar yey! o colocarei para ler. 

Porém, isso não me impedirá de continuar nas minhas Odisséias literarias! Em breve estarei trazendo outra resenha e pretendo eu trazer um artigo interessante essa sábado ao blog!

Abraços e boas leituras!

Livro Surpresa: A insustentável Leveza do Ser – Milan Kundera

Mas, Rebecca! Você demorou tanto para ler esse livro? O que houve?

Como o título já indica, o livro a qual passei três semanas para ler foi A insustentável leveza do ser, do Milan Kundera. O motivo perpassa por diversas ordens, seja do tempo, seja também pelo fluxo de leitura que o próprio livro permite. Por se tratar de uma obra fragmentada, é muito difícil manter a ordem cronológica de início, meio e fim. Isso, particularmente, me dificulta a leitura, apesar de ser, sem sombra de dúvida, uma obra invejável. Não é a toa que muitos elogios surgem.

O autor é tcheco, nascido em 1929 e está vivo, diferentemente dos outros que eu li recentemente. Além disso, sua pessoalidade dentro do livro, sem ser invasiva, é um detalhe, mas que, pessoalmente, faz toda diferença. Sua experiência com a Guerra Fria, do contexto tcheco e seu grande conhecimento cultural enriquece demais o livro. A(s) história(s) se desenvolve, no meio da invasão russa a Tchecoslováquia, com quatro personagens principalmente: Tomas, Tereza, Sabina e Frank.

Tomas é cirurgião e eu acho que é o personagem mais elaborado de toda obra. Ele deixa a primeira esposa e filho  e se aproxima de Tereza, uma jovem garçonete. Ele já tinha o costume de ter relações sexuais fora do casamento, mas percebe em Tereza algo diferente, que o obriga uma acolhimento diferente. O autor até usa a expressão de que ela fora levada pelas águas, como Moisés e outras figuras conhecidas, até ele.  Uma das mulheres em que Tomas as vezes se encontra é Sabina, pintora de personalidade forte. Ela, entretanto, tem um outro caso amoroso, muito mais longo do que com Tomas com Frank, um professor universitário cuidadoso, que também tem uma esposa e uma filha. Este é o aparato mínimo que se deve conhecer sobre a história. A partir disso, os personagens são elaborados por seus sentimentos, questionamentos e formas de se posicionar, se mesclando com a própria visão do autor nos mais diversos temas possíveis: sexualidade, política, religião, amor etc. O autor, brilhantemente, mescla tanto ele, quanto os personagens junto com grandes intelectuais da área da música, literatura e dos mitos, fazendo o próprio leitor pensar, junto com a história.

Apesar da visível capacidade do autor, a linguagem é muito agradável e possibilita que todo uso de termos filosóficos, da música ou de outros conhecimentos seja de fácil absorção durante a leitura, sem ser forçoso.  Mesmo para pessoas como eu que não gostam muito de filosofia, acaba se tornando muito leve e aproveitoso, sem que seja algo que repele no livro.

Outro fator, como citei antes, é a fragmentação do livro. O início do livro não é o início da história, da mesma forma como o meio e o fim. É dividido em capítulos a qual possui pequenos trechos que se completam como um quebra cabeça. Porém, é interessante frisar que não há nenhum interesse para que se possua todas as peças. Alguns momentos, se cria a inferência e, mesmo momentos que são um pouco fora da história principal, nunca são inúteis. Sem dúvida é de se parabenizar o autor que consegue construir muitas histórias paralelas sem ter enrolação.

E, de fato, é um autor brilhante. Não se tornou meu livro favorito, nem me fez emocionar demasiadamente, nem tocou em momento nenhum a assuntos que me são pessoais. Nada justifique que o livro em si seja meus favoritos, mas o autor, por sua consistência na forma que se desenvolve a obra, a maturidade e conhecimento, é, claramente, um dos melhores que já vi. Provavelmente, me verei lendo outros livros dele, mesmo não me interessando profundamente por seus temas, mas por sua capacidade.

Enfim, recomendo muitíssimo e aposto que, para muitos, será o livro favorito de todos os tempos.


Um abraço e boas leituras!