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Eu e Madame Bovary

Retornei após uma longa, muito longa leitura. 

Isso não ocorreu porque o livro fosse comprido, muito menos difícil, mas porque me envolvi tanto em outras coisas como a história do mangá After Us, a Savage God que me desfocou completamente da leitura proposta na lista. Peço desculpa.

Como falei no título, acabei de terminar Madame Bovary do Gustave Flaubert. Ele é francês e publicou essa célebre obra em 1857, sendo autor de outras conhecidas como a Educação Sentimental. Por curiosidade, a família dele não apoiava muito sua carreira de escritor e a sociedade da época estranhou muito a publicação desse livro. Não é estranho, porque surge, dentro da narrativa, situações que até hoje são polêmicas, como a questão de gênero e, é claro, a traição. 

Afinal, Emma, casada com Charles Bovary, é uma mulher sonhadora, que lê muito e não muito recatada, apenas tímida. Então, aos poucos, o que ela acharia que seria incrível - o casamento - foi se tornando uma desgraça em sua vida, não porque o marido fosse cruel ou ruim, mas pela rotina. Assim, ela se apaixona e se aproxima de Rodolphe e de León, homens encantados pela sua beleza, porém de personalidades muito diferentes. O primeiro é libertino, que possui um interesse mais sexual do que propriamente amoroso, enquanto León se aproxima dela pela leitura e a fantasia. Nisso, Madame Bovary, que já é mãe de Bertha, se desenrola por dentro do adultério vendo suas vantagens e desvantagens. Concomitante a isso, o marido está crescendo profissionalmente, até que passa numa crise financeira que vai exigir do casal força emocional, a qual ela não possuirá pela confusão de sentimentos.

Confesso que a história é boa, mas não chega a me emocionar. Acredito que seu desenrolar é bem previsível e a tradução da Saraiva de Bolso é um tanto questionável mesmo achando que é o escritor mesmo que não é bom. A formulação da narrativa, para mim, tem alguns problemas como se alongar em situações medianas e nas partes mais difíceis se conter com duas frases. Passa tudo muito rápido e sem profundidade, pelo que eu achei. Além disso, os personagens não são muito cativantes. Por mim, é uma leitura mediana, mas importante de se ter.

Prometo que não demorarei tanto para a próxima obra! 
E vocês lera? O que acharam?
Abraços e boas leituras!

Esaú e Jacó - Machado de Assis

Olá, queridos. 

O pós-carnaval foi de muita leitura (incluindo textos da monografia, mangá e um livro de contos que nem vou colocar no blog porque foi ruim) , mas hoje eu vim com o típico livro que todo mundo ouve falar e ninguém lê, chamado Esaú e Jacó do Machado de Assis.

Preciso falar sobre o autor? Só para manter o costume! Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908) é, sem dúvida, considerado um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos. Ele, que foi extremamente plural em suas obras, tratando-se desde poesias românticas, folhetins em jornais e até em romances completos realistas, foi grandioso em tudo. Por ser negro, nascido no morro e nunca tido Ensino Superior, ele se mostra como um exemplo da superação dentro da arte a qual era brilhante. Esaú e Jacó foi seu penúltimo livro antes de falecer.

A história do romance (que, provavelmente, era folhetim de jornal, por ser dividido em capítulos bem certinhos, comentários com opiniões de leitores etc.) trata-se principalmente de uma mulher, chamada Natividade, que está grávida. E, sendo muito curiosa em relação ao futuro de seus filhos, ela consulta uma mulher que prevê e esta diz que serão grandes homens, mas que brigarão, feito Esaú e Jacó. Posteriormente, os gêmeos nascem, se chamando Pedro e Paulo e se desenvolvem, porém há uma personagem que é chata demais chamada Flora, que é apaixonada pelos dois enquanto é recíproca pelos mesmos também. Porém, o livro não cai no clichê e tem como plano de fundo a transição da monarquia para a República e seu caráter ideológico.

Apesar de ser uma obra conhecidíssima de um grande autor, achei a história muito morna, nem cheirando nem fedendo. Flora é a indecisão em pessoa, os acontecimentos demoram e por mais que tenham personagens de potência, eles não cativam. É uma pena, mas foi o que senti. Não chega a ser uma história ruim porque o enredo é bom e a conversa do Machado de Assis com o leitor, a sua escrita, ela, sim, é cativante. 

Já leram? Gostaram? 
Boas leituras!

A Letra Escarlate - Nathaniel Hawthorne

Olá, leitores! 
Vocês devem ter visto que aproveitei o Carnaval para ler e dormir, me divertir também.  e fiz a proeza de terminar o maravilhoso livro que quero apresentar a vocês: A Letra Escarlate de Nathaniel Hawthorne.

Além de ser uma ótima história, tive o privilégio de ler a edição da Companhia das Letras com a Penguin, que é sensacional! Isso se deu porque é tradução da edição centenária e tem excelentes comentários no Posfácio da Nina Baum e do Thomas E. Connoly. Lê-los fez muito bem para compreender melhor o enredo e o autor. Segue abaixo a capa simples e marcante do livro:


Aliás, gosto de quando as capas não possuem figuras humanas porque favorecem a imaginação da pessoa.

O autor (Nathaniel Hawthorne, 1804 - 1864) é apresentado no posfácio como um americano que, desde muito jovem, sempre quis ser escritor e o desejo particular dele vem muito pela angústias quanto a sociedade e sua família (o que fica bem claro no livro, de forma que, só quem lê o pósfacio entende). Uma curiosidade que me marcou é que, mesmo jovem, ele mudou seu sobrenome - que era Hathorne para Hawthorne - para se distanciar da história de sua família. Além disso, muito antes do gênero existir, o próprio autor já considera A Letra Escarlate um romance psicológico e ele deixa em questão muito fortemente o puritanismo, a culpa e a angústia causada por esta - e como se libertar!

A história toda circula em torno de uma mulher forte chamada Hester Prynne. Com uma introdução crítica e simbólica, o autor faz o surgimento da personagem num contexto muito cruel do puritanismo. Ela, que adulterou, segurava a criança em seus braços e foi condenada a andar pelo resto de sua vida com uma letra A, escarlate, no busto para que todos vissem, para sempre, o pecado que ela havia cometido. E, a partir disso, conta a história de uma solidão, de uma culpa que guarda o segredo de quem é o pai da criança, chamada Pearl. 

Se trata de uma leitura descritiva, porém dramática e que traz muito o leitor para a história. O objetivo é, claramente, repensar essa moral religiosa opressora ao aproximar aquele que lê profundamente a história da adultera, a quem ela é. Particularmente, a mim, foi uma leitura catártica, muito marcante e pode ser considerado um dos meus livros favoritos. Pode-se questionar, dizer que, por exemplo, o Céu que nos Protege é melhor escrito (e, de fato, tem uma escrita literária muito profunda) ou que outras histórias, como do Milan Kundera tem uma enredo mais interessante (o que não acho). Acredito que essa história juntou os grandes pontos que fazem ser um romance favorito para mim, claro: uma leitura agradável, bem escrita, de ritmo; um enredo com um drama bem construido; um ponto que toque em nossa personalidade. 

Resumindo: estou apaixonada pelo livro! Recomendo fortemente, especialmente a pessoas religiosas. 

E para o próximo post... Acho que vai rolar Machado de Assis! Que tal?
Um abraço e boas leituras

O céu que nos protege - Paul Bowles

Terminado! Mais um livro lido nesse ano.

Como falei no post anterior, estive em uma grande aventura lendo O céu que nos protege. Escrito por Paul Bowles (1910-1999), se trata de uma história de uma viagem, daquelas que não tem volta. A sacada intrigante do livro é chegar num ponto que jamais se poderia imaginar, com muita angústia. Os personagens, Port, Kit e Tunner, vão viajar juntos saindo da França em direção aos países árabes do Saara e, começando com um mal-entendido amoroso, o grupo vai se dividir e passar o ponto de retorno. 

Confesso que o livro fica bem melhor da 2/3 parte em diante. O primeiro capítulo me parece que é para explicar como a história foi tão longe. E, particularmente, as últimas páginas são de tirar o fôlego. Isso contradiz, de alguma forma, o que o Alberto Mussa (o escritor que indicou a lista, caso não saiba, veja aqui) disse sobre um livro te prender até a página 100. De fato, não é uma história de se desistir até a página 100, mas que só vai ser verdadeiramente interessante no decorrer.

Se trata de uma obra bem descritiva, que se prende aos detalhes e, particularmente, a edição da Alfaguara é ótima! A capa é meio sem sentido e eu vi que existem edições com mais sentido com a história (tipo capas com um deserto, um chá, um casal viajando, de céu, enfim.). A tradução foi bem feita, apesar daquele costume, para mim, um tanto sem sentido as vezes de manter palavras em francês e, no caso, em árabe, no meio da história. Certos casos, isso ficava interessante porque havia, sim, um choque de línguas durante o enredo, porém certas vezes ficava enfadonho , mas, pelo menos menos enfadonho que o Rubem Fonseca.  Veja aqui a capa exatamente igual a do que eu li, bem nada a ver com a história, mas linda.



E, não posso terminar sem comentar isso: o nome do livro! No post anterior falei que o título ficava melhor se fosse "Um chá no Deserto" ou "Chá no Saara". Enfim, agora não acho mais! A escolha do título só mostrou uma enorme capacidade artística e literária do Paul Bowles, que, aliás, é admirável durante toda sua obra.  Ele é um artista das palavras, mesmo que não se goste da história em si. Recomendo principalmente para quem gosta de uma aventura grandiosa e de uma leitura boa de verdade mas não é muito de ação. 

Tendo esse lido, qual é o próximo? Escolhi! Será A Letra Escarlate de Nathaniel Hawthorne!
Já leu? Tem uma opinião sobre ele? 

Um abraço!

Tomando um chá no Saara com Paul Bowles

Olá, meus amigos leitores!

Sai das ligações perigosas, dos anos de 1700 e fui parar em um livro moderno, chamado O céu que nos protege de um escritor americano que, confesso, não conhecia e nem ao menos tinha ouvido falar chamado Paul Bowles. Esse livro já se tornou filme na década de 90 então vou precisar ver e uma boa descoberta foi saber que em português de Portugal a história é "Chá no Deserto", que eu acho que tem muito mais a ver com a história, por mais que seja nem um pouco fidedigno ao título original: The Sheltering Sky.

Descobri que na língua portuguesa muito pouco se sabe desse autor, mas ele é nos Estados Unidos, de grande reconhecimento literário, principalmente porque ele é Nova Iorquino. Um detalhe muito interessante sobre esse autor é que ele era um viajante e foi muito peculiar quando descobri que ele faleceu em Marrocos. Por que digo isso? Porque o livro conta a história de um casal (Kit e Port) que foi viajar com um amigo (Tunner) e em todo momento se conta sobre as vivências deles no Norte da África e suas relações com os árabes.

Fico até me questionando se Port (coincidentemente começando com a mesma letra que Paul) não conta algum relato pessoal durante a história porque se trata de um escritor que é viajante e nova iorquino. Enfim, estou descobrindo! Parei na página 170 e termina na 269. Talvez eu demore um pouco, mas essa história, sem dúvida, vou terminar.

Boas leituras!



Ligações Perigosas - Choderlos de Laclos

Voltei!

Após essa demorada leitura com o livro Ligações Perigosas, venho dar minhas impressões. A primeira, já digo, que é muito bom de se ler, pois as cartas, acredito eu, te aproximam da história, como se você fosse cúmplice dos casos que ocorrem durante toda a narrativa.

O enredo é composto por cartas de principalmente cinco personagens. A primeira é a Cécile Volanges, que no início desabafa com uma amiga sobre a angústia de ter saido do convento para casar, sem entender muito bem o porquê. Vemos que é uma pessoa jovem, muito ansiosa. Cécile é amiga de uma mulher viúva de personalidade muito marcante conhecida como Marquesa de Merteuil. Não se trata de uma mulher de muito boa fama na época, mas é, para mim, a personagem mais interessante. Ela é meio ambígua e trabalha tanto como vilã, mas como heroína. Esta estimula que a Cécile, que está prometida a casar com um homem, reconheça seus sentimentos pelo Cavaleiro Danceny, por isso, tudo tem que ser muito escondido e planejado, mas como o casal é bem novo, eles são intensos e apaixonados, sofrendo muito por essa relação secreta. Para conseguir fazer uma ponte entre os dois, pediram ajuda logo ao libertino Visconde de Valmont que é, um tanto secretamente, o melhor amigo da Marquesa de Merteuil. Ele tem uma péssima fama de desonrar as mulheres, manipulá-las e depois as largar e ele, logo no começo do livro, tenta colocar a Presidenta de Tourvel em seu jogo de sedução, mas ela, já avisada pelas amigas, resiste enquanto pode ou enquanto consegue.


As cartas da Marquesa com o Visconde são, sem dúvida, as mais claras, sem drama e verdadeiras de todo o enredo. Para a Presidenta, ele se mostra amoroso, faz de tudo para se tornar seu amante e mente sem o menor problema. Porém, quando ele começa a se envolver demais com a pequena Cécile Volanges, a narrativa se complexifica e os personagens vão se misturando até criar um nó amoroso.

De leitura bem leve e agradável, Ligações Perigosas quebra um pouco aquele cliché de que romances de época precisam ser óbvios e chatos. Mesmo para quem não gosta desse estilo literário, fatalmente se envolverá na história e terá opiniões sobre ela como eu que acho que o Visconde deveria ter ficado com a Marquesa. 

E a próxima leitura? Bem, ainda estou decidindo! Mas logo logo conto.
Abraços e até o próximo post.

Perigo com Choderlos de Laclos

Olá, amigos leitores!

Para a alegria ?  de vocês, eu ainda não estou com o livro lido, então, se for do interesse de vocês, ainda dá para acompanhar. A obra que estou lendo do momento, na tradução da Editora Anima, se chama Ligações Perigosas do Choderlos de Laclos. Digo isto porque esse livro é mundialmente conhecido como As Relações Perigosas, que é uma expressão corriqueira dentro do enredo. Fugi um pouco e não propositalmente dos romances contemporâneos, mas estou gostando bastante do livro, infinitamente mais do que Os Maias e outras obras que li, que se encaixa no gênero de Romances Libertinos.

Apesar disso, como se trata de um livro de 1782, não há um décimo do erotismo que ocorre nos contemporâneos, como vi no Milan Kundera e o Rubem Fonseca. Trata-se muito mais sobre a questão da traição, dos romances escondidos e a tentação de cair em um. Mesmo sendo formado por cartas seguidas, sem nenhuma narração, não se perde muitas informações e a história é bem coerente. Estou na página 112 e confesso nem ter passado pela minha cabeça a possibilidade de desistir da leitura diferente de muitos outros livros chatos que necessitam de uma insistência. 

É uma leitura boa, mesmo para pessoas como eu que não são muito fãs de romances de época. Encara o desafio?

Em breve, quando acabar o livro, retomo para contar os segredos desse perigo todo. 
Boas leituras

Devorando Rubem Fonseca

Olá, leitores queridos!

Confesso que fiz uma maldade com vocês, mas não foi proposital. Disse a vocês que iria, em breve, dizer qual seria meu próximo livro para ler. Mas, foi só eu tirar para ler o Bufo e Spallanzani do Rubem Fonseca, na quinta a noite que quando vi... acabou! Sábado a tarde eu já havia terminado. Dois dias de leitura frenéticos. A partir disso já se dá para saber qual foi minha impressão do livro. Só que antes disso, preciso contar um pouco sobre o autor e a história, certo?

Rubem Fonseca (1925) nasceu em Juiz de Fora, terra amada minha, mas escreve como carioca, como é de se imaginar. Curiosamente, descobri que ele fez Direito na melhor universidade de todas UFRJ , trabalhou como policial  e só bem mais tarde seguiu a carreira literária. Em 1986 lançou Bufo e Spallanzani, o que é incrível por parecer tão atual. É um autor vivo e a última obra lançada dele foi em 2011, e, pelo que eu li em blogs e entrevistas, não parece querer parar de escrever. 

Vamos a história?Então, Ivan Canabrava, que usa o pseudônimo de Gustavo Flávio, é escritor e está, dentro do livro escrevendo um outro livro chamado Bufo e Spallanzani (sim, o mesmo nome, completamente metalinguagem) enquanto se relacionada com a casada Delfina Delamare, mulher rica casada com o famoso Eugênio Delamare. O livro se inicia com o assassinato dela, que primeiramente é encarada como um suicídio e, depois, realmente como um homicídio. Assim, a história se desenrola em descobrir quem foi que a matou, mas também é uma narrativa sobre o próprio Ivan, seu passado, sua personalidade e seus gostos. O autor também desenrola bem outros personagens que são cruciais na história como a Minolta e o policial Guedes. 

Dividido em cinco partes, o livro não é nem um pouco linear, pelo contrário, ele é assumidamente cheio de altos e baixos para te deixar cada vez mais curioso de quando se resolverá o trama. Mas, quando você espera que irá se resolver.. aparece outro!

Como disse no começo, é uma leitura rápida, que vai puxando uma sequencia a outra sem perder o ritmo, mesmo sendo uma obra de 238 páginas. 

Agora, falando pessoalmente sobre o que achei da obra: é um livro excelente, novamente, sobre um tema que normalmente não me chama a atenção (não chega a ser um romance policial, mas chega perto) e eu acho que o excesso de assassinatos não resolvidos é um pouco desgastante durante o texto. Além disso, eu acho muito chato (novamente, opinião minha) esses autores que tem que se mostrar cultos, citando outros em inglês, francês, alemão e fazer conversações como se todo rico fosse intelectual e soubesse tudo sobre cultura literaria no original. Também tenho ressalta quanto ao final que achei um tanto óbvio (há quem dirá que não). Outro detalhe que achei extremamente problemático são as citações! Ele cita e depois diz que citou errado ou faz adaptações de citações distorcendo o que o autor primeiro quis dizer. 
Mas, eu gostei muito do como o trama em seu desenvolvimento se fez, o linguajar do autor, a edição da Sairavadebolso que li, a divisão de capítulos, as explicações que vão sendo dadas ao longo do texto e o como ele fala sobre o trabalho do escritor, que me encanta profundamente, apesar de não ter nada a ver diretamente com o tema do livro.
Enfim, é um livro que eu recomendo e dá gosto de ler.

E vocês? Já leram esse? E outros dele?
Boas leituras e abraços!

Ao Farol - Virginia Woolf

Olá, gente! 

Com orgulho venho dizer que terminei o livro Ao Farol da Virginia Woolf. No post anterior falei um pouco da autora, sobre o contexto do livro, do ano e esses detalhes técnicos (para ver, clique aqui). Mas, hoje, gostaria de contar como foi me experiência lendo o livro e um pouco mais a fundo sobre a história.

Eu confesso de que não imaginei que ia gostar tanto, mas o livro é muito bom, que significa dizer que, por mais que você deteste a história, é obrigado a dizer que a Virginia Woolf é uma grande escritora. Seu texto flui de forma significativa e o final foi grandioso, para mim.

A história é simples, dividia em três momentos. O primeiro momento se refere a família Ramsay, com seus oito filhos e amigos numa casa perto do farol. James, o filho mais novo, quer muito ir ao farol, mas sua mãe (sra. Ramsay, figura principal do livro e narradora da primeira parte), vai negando esse convite enquanto amigos da família e situações cotidianas vão acontecendo. Já no segundo momento vem a guerra, dez anos mais tarde e três pessoas da família Ramsay falecem e, é claro, não vou dizer quem senão perde a graça e  há uma reestruturação no pensamento dos personagens que sobreviveram. E, no terceiro momento, um grupo desses que estão vivos vão ao Farol, completar o desejo e relembrar os dias que se passaram naquela casa. A obra tem 219 páginas e ela te envolve no meio dos sentimentos e pensamentos de cada personagem e a autora, de forma genial, direciona sua visão aonde ela quer, explorando sentir o que a pessoa está no momento.

Além disso, um detalhe: a capa e a tradução da L&PM ficou fantástica. Absorveu perfeitamente o espírito da história e foi bem fiel a autora. Podia ver perfeitamente a sra. Ramsay na capa, apesar de ver comentários em sites de que seria a Lily Briscoe na capa o que, para mim, não faz sentido porque a Lily é oriental e a sra. Ramsay tem esse tom de cabelo, igual a filha, meio castanho/ruivo. O livro que li era igual esse abaixo:



É uma senhora obra de literatura, completa e surpreendente. Fiquei com vontade de ler mais da Virginia Woolf e fiqui espantada, de forma positiva, com o que li. Recomendo muito! Pena que não tem outro livro dela na lista, mas, quem sabe, ao final da lista, né? Sempre ficamos com vontade de ler mais e mais livros!

Confesso, também, que já decidi qual será meu próximo livro, mas... Só contarei no próximo post.
E você? Já leu Virginia Woolf? E Ao Farol?
Boas leituras e abraços!

Me aventurando com Virginia Woolf

Olá, meus amigos leitores!

Depois do meu início de ano desgastante com Os Maias, sem que eu tivesse como terminar, decidi partir para um outro tipo de literatura. Peguei, assim, o livro que meu namorado me deu de aniversário no ano passado que é o Ao Farol da Virginia Woolf.

A autora é inglesa, nascida 1882 e faleceu ou, mais especificamente, suicidou-se em 1941. Seu pai era intelectual, seu marido era também e todos seus amigos. Ela mesma era crítica literária antes de começar a escrever romances. Isso é, logo se percebe em sua prosa o quanto era culta e contextualizada. Fica também bem óbvio o quanto ela se coloca no que escreve. Nesse livro, especificamente, ela descreve a sra. Ramsay muito parecida com as descrições que se tem dela (uma mulher bonita, intelectual e vista).

O livro Ao Farol, também conhecido como Passeio ao Farol ou Rumo Ao Farol em outras traduções, é um livro de 1927, bem no meio da carreira dela como escritora e é bem fluido. Começa com uma viagem da família Ramsay (a sra. Ramsay, o sr. Ramsay e seus oito filhos) para uma casa perto do farol, onde vários amigos da família irão participar do dia-a-dia.

Comecei ontem e estou na página 73. É um livro descritivo, com poucas falas, mas que tem bastante coisa ocorrendo, tendo um ritmo legal.

Estou animada nessa leitura!
Vamos ler juntos?

Abraços!

Os Maias - Eça de Queiroz

Olá, gente! Voltei de minha viagem em Juiz de Fora, a qual não tive tempo para nada muito menos para ler ou esquecer no blog.

Então vim falar um pouco sobre a obra que eu li e não terminei, que é Os Maias.Mas, antes de chegar ao texto, minhas impressões etc. eu passo pelo nosso querido amigo autor, no caso, Eça de Queiros.

Ele nasceu em 1845 em Portugal e faleceu cedo, com 55 anos, em Paris e é conhecido por ser um escritor realista. Tem obras conhecidas como O crime do Padre Amaro e Primo Basílio, sendo que ele escreveu Os Maias no meio de sua carreira em 1888.

Quanto ao roteiro, começa com a ida de Afonso da Maia e seu neto Carlos para uma casa que eles chamam de Ramalhete, numa cidade um pouco isolada de Lisboa. Ali a história circula sobre os acontecimentos da família, os casos de amor fracassados e todo o trama familiar, que perpassa junto aos amigos próximos.

Confesso que eu gostaria de ter terminado o livro porque a história é interessante, os personagens não são clichés e a trama é boa. Parei na página 140, quando Carlos está começando a se encontrar com a amada, Maria Eduarda. Porém, para se chegar a esse ponto, o autor se enrolou muito para mim. E olha que eu gosto de texto descritivo! Não foi por ser descritivo, mas por se focar em cenas que poderiam ser escritas em poucas páginas e passar muito rápido por histórias bem importantes. Isso me desgastou muito com o livro porque eu comecei a ler rápido para procurar um ponto importante, não linear, e demorava muito.
Outro fato que me incomodou profundamente é que tinha muitos personagens sem a necessidade de existir, que apenas enrolavam mais o roteiro. Tal situação me deixava confusa.

Talvez com mais tempo e mais detalhamento eu gostasse bem da obra, porque aonde eu li gostei muito e recomendo.

Em breve direi para vocês qual será a próxima obra e tentarei acabá-la!
Um abraço e boas leituras.

A Brincadeira - Milan Kundera

Olá, leitores!

Eu retornei com um livro lido para comentar com vocês. É o A Brincadeira de Milan Kundera, autor da Insustentável Leveza do Ser. Como dito no post anterior, é a primeira obra dele e durante sua leitura se percebe diferenças, mas também sua personalidade bem claramente.

"Nós vivíamos, Lucie e eu, num mundo devastado; e porque não soubemos nos apiedar dele, dele nos desviamos, agravando assim sua infelicidade e a nossa. Lucie, tão amada, tão mal-amada, foi isso que você veio me dizer no fim desses anos? Implorar compaixão por um mundo devastado?" (p.396)

O livro começa quando Ludvik retoma a cidade de sua infância e, ao andar com seu "amigo" Kotska, é convidado a ir numa barbearia aonde encontra Helena, uma mulher que conheceu há muitos anos que, na época, se chamava Lucie. Assim, o livro retoma ao passado de Ludvik e faz a trajetória de sua vida que se deve graças a uma brincadeira mal-interpretada. 
Quando universitário, filiado a União de Estudantes que tinha relação com o Partido Comunista, ele se interessou por uma menina chamada Marketa. O livro a descreve como uma pessoa sem senso de humor e demasiadamente séria. Durante essa aproximação dos dois, precisaram ficar distantes por longos meses e trocavam cartas cotidianamente. E, durante essas cartas, ele escreveu brincando com ela: "O otimismo é o ópio do gênero humano! O espírito sadio fede a imbecilidade. Viva Trotski!".
Mas, essa carta foi parar na mão do partido e ele foi expulso da faculdade e de seus cargos que possuia. Por isso, teve que virar soldado no grupo negro (dos suspeitos para o comunismo) e, por um acaso, conheceu Lucie a qual teve uma história confusa e intensa de amor.

A história é interessante e tem a personalidade de Kundera por diversos motivos. Primeiramente porque não é romântico, nem um pouco. Ludvik reencontra Lucie em Helena e não tem o menor interesse em ser o amor de sua vida. Helena está num casamento fracassado e implora para que Ludvik fique com ela. Curiosamente, não dá para saber se ela o reconhece como o mesmo Ludvik de sua juventude. A leitulra é fragmentada em partes maiores (capitulos) e menores (subcapítulos) dando um fluxo similar, mas não igual, à Insustentável Leveza do Ser. 

Fora os personagens secundários que são maravilhosos. Jaroslav, os outros soldados, Jindra, Zemanek e o Kotska que, sem dúvida, é o meu personagem favorito. Ele é pacifico, imersos nos seus ideais comunistas e na sua fé cristã quando conheceu Lucie no campo e foi o único que verdadeiramente a ouviu e conhece quem ela é. Ele, para mim, é incrível (claro, porque sou estudante de Teologia e cristã).

"Estou absolutamente certo de que a linhagem espiritual que se vale da mensagem de Jesus conduz a igualdade social e o socialismo de modo muito mais natural. E quando me lembro dos mais ardentes comunistas do primeiro período socialista em meu país, como por exemplo o presidente do Comitê, que entregou Lucie em minhas mãos, essas pessoas me parecem muito mais próximas de zeladores religiosos do que de discípulos de Voltaire cheios de dúvidas. O período revolucionário depois de 1948 não tinha muita coisa em comum com o ceticismo nem com o racionalismo. Era o tempo da fé coletiva. O homem que, aprovando-a, caminhava com a época era habitado por sensações muito próximas daquelas que a religião proporciona: renuncia a seu eu, a seu interesse, a sua vida particular, por alguma coisa de mais elevado, de suprapessoal. É claro que as teses do marxismo tem uma origem profana, mas o alcance que lhes atribuiam era comparável ao alcance do Evangelho e dos mandamentos bíblicos."

A última cena do livro não é muito emocionante, mas o autor não se propõe a que seja. Mas, perto do final, as histórias se reunem e se aglomeram de modo que faz a grande crise que perpassa todo o livro: as angústias de Helena.

Então é um livro que eu sugiro muito a leitura porque, realmente, Milan Kundera é genial no que faz. É claro, não é tão elaborado quanto a sua grande obra, mais a posteriori, mas para quem gosta de uma história boa, bem escrita, coeza e interesse, é uma boa pedida!

E, já vou dizer: não lerei mais um romance até o final do ano. Maaaaas... Tenho planos para o Projeto Me Livrando e algumas surpresas! Esperem e verão!

Boas leituras!

Final de ano no Me Livrando

Ho Ho Ho, vocês acham que eu me esqueci do blog? É claro que não!

Mas o meu atraso se deve principalmente porque não sabia qual livro ler depois do Fantasma da Opera. Todos os livros de literatura aqui de casa ou estavam na lista ou já tinha lido! Demorei cerca de uma semana para ter a sorte de passar numa feira de livros, no Largo do Machado (RJ), e comprar um livro inusitado que nem sabia existir. Foi 10 reais e tenho apreciado muito.

Então, recebam com aplausos o livro que estou me deliciando agora \o/:
A Brincadeira de Milan Kundera

O autor é conhecido por ter escrito o livro que vocês já viram aqui no blog chamado A insustentável leveza do ser. Para lembrar mais sobre o autor e sua obra, veja no meu outro post. Este, que estou lendo hoje, foi o primeiro romance dele a ser publicado em 1967 e tive muita curiosidade de procurar ler outro livro do mesmo autor porque ele tem uma forma escrita muito rica. É claro que esse, por ser escrito quase vinte anos antes do A insustentável leveza do ser, tem outro linguajar, apesar de, novamente, tratar sobre o comunismo, partidarismo, romance e infidelidade. Porém, esses temas são trabalhados de forma completamente outra, o que mostra a genialidade dele.
Por enquanto, estou na página 70, sendo ter 402 páginas. Pretendo ainda essa semana terminar e, quem sabe, ler mais um livro até o ano novo! Alguma sugestão de final de ano?

Então ainda temos muito drama para ler antes de 2013 acabar e, ano que vem, vocês sabem: Projeto Me Livrando. Lerei uma parte daqueles livros da lista até conseguir acabar daqui há muitos anos.

Boas leituras e em breve mais novidades!

O Fantasma da Ópera - Gaston Leroux (segunda parte)

Olá, amigos leitores!

Enfim, a segunda parte do meu post sobre o livro O fantasma da Ópera. E, com muita alegria, a final. Quero contar um pouco quais foram minhas impressões, especialmente porque sempre fui fã do teatro, do filme, do musical e tudo que circulava sobre a história do Fantasma. Acredito que, muitos outros como eu, são fãs antes mesmo de ler o livro, o que é muito curioso, mas comum. 

E, parece ser bem comum esse comentário, mas o livro é completamente diferente da obra, tanto do teatro quanto do cinema. Mas eu acho que é diferente em um nível até complexo porque os personagens, para mim, tem outro papel. Fico impressionada que, as últimas 100 páginas são voltadas para o relato do Persa, que é absolutamente esquecido no musical e na peça. Sem ele, não haveria relato sobre a história que se segue! E a madame Giry? Não aconteceu nada daquilo que se fala no cinema, da relação dos dois. Ela, na verdade, é um personagem vazio, sem expressividade e bastante fútil. A briga da troca de cartas também não ocorre. Fora que, pela narrativa tentar ser muito concreta, cheia de relatos e detalhes, não há o romanceamento que se vê no musical e no cinema. O fantasma da Opera, que no livro só se chama de Érik, é um personagem completamente perturbado e claramente psicótico. Carlota também é um personagem que aparece muito pouco, sem fazer grandes contraposições com a Christine. E a própria Christine me surpreendeu muito.

Primeiro porque ela desafia o Raoul. Com um anel de ouro, dado pelo fantasma, no começo, ela parece encantada pelo anjo da música, e comprometida com ele (não, necessariamente, em um sentido amoroso). Como falei no post anterior, ela não reconhece o Raoul na primeira vez, só depois se aproximando que lembra e, ao pedi-la em noivado, ela apresenta o anel do fantasma e disse que não vai noivar coisa alguma! Onde a Christine do filme faria isso? Ela é completamente apaixonada desde o primeiro instante na obra do teatro. Me soou que ela tem muito mais autonomia e decide pelo Érik no começo. Só depois que a memória dela se aproxima de Raoul, ela se apaixona e vai em direção a ele, ainda muito assustada. Isso no começo do livro.
Segundo, os sentimentos dela são muito mais complexos no livro do que na peça. No musical, parece que ela é besta, apaixonada pelos dois. Ora, fica muito claro no livro que ela não é apaixonada coisa alguma pelo fantasma! Especialmente quando eles se conhecem. No começo, quando era só uma voz, ela se sentia encantada, hipnotizada e seduzida, mas jamais apaixonada. Depois, quando a conhece, ela tem um profundo horror. Tanto horror que no final do livro, ela tenta se matar (e não consegue) quando está com o fantasma. O Don Juan Triunfante que o Fantasma escreve, também, não é interpretado, como é visto no filme/musical.

E, o mais interessante, para mim, é o final. O começo tem as cenas clássicas: o lustre caindo, o enforcamento, a nova diretoria chegando, um mistério por trás do fantasma e a voz que a Christine ouve. Aliás, ela não faz ideia de que a voz é o fantasma.
O fim não é assim. O fim é terror puro, suspense e apavorante. Você fica angustiado com o Raoul e o Persa indo atrás da Christine. Não é simples que nem o musical. Ou a Christine casava com o fantasma ou ele explodia o Opera! E, por isso, é bem incrível.

Olhando por essa perspectiva, o filme é uma completa re-adaptação do livro em sua história. Infelizmente não há poesias, com as músicas. E como faz falta! Se formos mais a fundo e compararmos o livro com a última peça baseada no Fantasma da Opera (que seria a continuação), Love Never Dies, ai podemos ver que é outra história totalmente outra, sem quase relação com a mensagem que o livro original queria dizer! Quando vi Love Never Dies já achei completamente diferente da história. Agora, vendo a relação da Christine com o fantasma no livro, vejo que é absolutamente impossivel que faça algum sentido essa continuação. Christine estaria se contorcendo no túmulo se soubesse que inventaram o Love Never Dies, de tão absurdo e doentio que é. Todavia, não posso negar que é outra bela peça!

Então, é isso! Comentarios? Sugestões de livro? 

Um abraço e boas leituras!

O Fantasma da Ópera - Gaston Leroux (primeira parte)


Olá, meus amigos leitores! Tudo bem? Espero que sim!

Estou seguindo na minha leitura lerda do livro que está no título: O Fantasma da Ópera!

E dividi minha análise do livro em dois momentos, porque eu ainda estou na página 124, tendo ainda muito o que acontecer.

"A estranha conversa com Christine o perturbava por inteiro!... Pensava menos em Christine do que no que a cercava, e esse "cercar" era tão difuso, tão nebuloso, tão inacessável, que ele experimentava um mal estar muito curioso e muito angustiante."

O livro foi escrito em 1910 e foi, sem dúvida, a obra mais famosa de Gaston Leroux. Ele fez um trabalho muito especifico em tentar aproximar a realidade aquilo que escrevia, contando de artigos de jornal, relatos e entrevistas sobre pessoas que souberam desse grande mistério que circulou o Opera de Paris. Sei que, no meio desses relatos, ele recria um romance entre a Christine e Raoul, junto com outros elementos bem romanceados como os sentimentos dos personagens. 

Eu estou lendo a versão da L&PM pocket e receio dizer que há muitos erros de tradução e reliteração ao português. No próprio trecho que eu coloquei já dá para perceber o excesso de "muito" e, um detalhe que se encontra no livro, reticências em demasia. Há outros, como o termo "Daaé pai", que inglês é Daaé's Father, sem a readaptação. 

Sobre a história em si, o tema central é o mesmo das grandes peças de teatro: um fantasma assombra o Opera de Paris e Christine parece ser vítima deste, utilizando-se do discurso de que seria o Anjo da Música. Mas, apesar de a peça continuar a ser bem parecida com o livro, há algumas diferenças interessantes. Por exemplo, quando Christine canta, é comum que passe mal depois e que se desgaste completamente após a música, por tamanho esforço que ocorre. Raoul, no primeiro momento, não é reconhecido pela cantora quando disse ser seu amigo de infância. E, além disso, cria a hipótese de que ela é amante do Fantasma da Opera, tendo até desprezo por ela. E, mesmo tendo ela explicado a situação, ele a chama mentirosa. Fora que, para mim, no livro o personagem dele é muito arrogante e mesquinho, por ser rico. 

É um livro muito interessante de se ler! Vale a pena. Na próxima parte contarei mais detalhes da história que eu omiti, junto com as grandes surpresas que ainda virão!

Você já leu o livro? O que achou? Comente :)!

Abraços e boas leituras!!

Assim falou Zaratustra - F. Nietzsche

Me sinto vitoriosa porque eu finalmente terminei o Assim falou Zaratustra, do nosso amigo Friedrich Nietzsche. Quem leu meu último post sabe do sofrimento que passei durante a leitura deste por causa de sua filosofia e de sua linguagem. Várias vezes pensei em desistir, mas insisti e não me arrependi.

O livro conta a história de Zaratustra, uma pessoa a qual não sabemos a história anterior. Se inicia quando ele, que estava a montanha, sente que é hora de descer e passar seus ensinamentos. O personagem é apresentado no estilo profético, de mestre, quase messiânico e, nos seus ensinos, se baseia principalmente a necessidade da superação do homem, já que Deus morreu e a valorização do Super-homem. Essa mensagem, se perceber o contexto histórico em que o autor viveu, tem um grande valor simbólico e é por esse livro em que se espalha a mensagem de que Nietzsche matou Deus. A exaltação do homem e de sua autonomia frente as “crendices” é o tema central durante toda a obra.

Sua narrativa é basicamente circular entre a descida de Zaratustra a cidade e o retorno a montanha quando ele se sente exausto com a demanda que o povo trás. Muitas vezes ele se deprime, chora, ri, quer fugir e percebe o quanto as pessoas não entendem a mensagem que se propõe.

De fato, a leitura é cansativa e o início do livro, a qual a base é os grandes sermões de Zaratustra é um tanto entediante. Todavia, quando o autor retoma a narrativa e principalmente nos capítulos finais, se torna mais interessante. No meu caso, como estudo Teologia, achei muito interessante sua argumentação sobre a morte de Deus e a apropriação de outras religiões, a qual se destaca a cristã, na formação da identidade desse profeta. Alguns são os exemplos: os sermões são paralelos aos da montanha, de Jesus. Além disso, ele faz modificações de conhecidas frases do cristianismo como “não só de pão o homem viverá” e Zaratustra completa “mas também de uma bela carne!” ou, outra situação, que ele fala do Reinado do homem, retomando a ideia do Reino de Deus.  Ele também faz ironias o tempo inteiro, tanto com os próprios personagens quando as pressuposições religiosas, dizendo que “só se entrará no Reinado se formos como vacas”. Enfim, para pessoas que possuem uma mentalidade crítica sobre a religião, é um livro muito rico.

O próprio personagem de Zaratustra é muito carismático, sempre enfatizando o rir, dançar, se divertir e o sarcasmo. Isso atrai a pessoa ao texto e traz a curiosidade de qual será o final do profeta.

Além disso, li pela tradução da Martin Claret, que eu percebi poucos erros de português (como usar tanto a palavra bailar e dançar para a mesma situação) e se utilizou do termo Super-Homem, que é uma tradução controvérsia ao termo utilizado pelo autor.

Para terminar, o saldo foi positivo e recomendo, apesar de ter plena certeza que é bem exaustivo e que, para pessoas religiosas, pode ser assustador (o que não foi no meu caso). Novamente, desculpe a demora na leitura porque foi bem difícil e não conseguia ler mais de 5 páginas por dia, problematizando o ritmo que normalmente tenho a ler.

E para a próxima semana... Surpresa!
Já digo que é um livro que nunca li, mas que conheço a história de cor.
Dica: se tornou peça de teatro e filme.


Um abraço e boas leituras!

Qual romance você está lendo? - Folha de São Paulo.

Antes do Artigo, tenho que me justificar.

Boa tarde leitores! Tudo bem?
Logo após minha tragédia grega com o Homero, decidi ler um livro que muitas vezes é comentado pelo público que é o Assim falou Zaratustra, do Nietzsche. Este não me parece estar muito conectado com o que compreendemos normalmente por ficção, por ter um apelo muito filosófico e confesso que é isso que está me dificultando na leitura. Estou, hoje, na página 104 e, por minha vontade, desistiria. Todavia, acredito que, por não se tratar de uma narrativa qualquer, não posso simplesmente julgar que o autor não conseguiu captar a atenção do leitor. Afinal, o escritor é filósofo e nunca se propôs a produzir um romance.
Por isso estou insistindo.
A minha versão, da Martin Claret, tem 270 páginas, então devo demorar mais uma semana ou mais para terminar e, ao final dele, trarei o que entendi da história para contribuir.

Por enquanto, para não deixar o blog mais morto, trouxe um artigo da Folha de São Paulo, sugerido pelo meu namorado e que eu considerei muito interessante. Espero que gostem!

Qual romance você está lendo?

Sempre pensei que fosse sábio desconfiar de quem não lê literatura. Ler ou não ler romances é para mim um critério. Quer saber se tal político merece seu voto? Verifique se ele lê literatura. Quer escolher um psicanalista ou um psicoterapeuta? Mesma sugestão.

E, cuidado, o hábito de ler, em geral, pode ser melhor do que o de não ler, mas não me basta: o critério que vale para mim é ler especificamente literatura --ficção literária.
Você dirá que estou apenas exigindo dos outros que eles sejam parecidos comigo. E eu teria que concordar, salvo que acabo de aprender que minha confiança nos leitores de ficção literária é justificada.
Algo que eu acreditava intuitivamente foi confirmado em pesquisa que acaba de ser publicada pela revista "Science" (migre.me/gkK9J), "Reading Literary Fiction Improves Theory of Mind" (ler ficção literária melhora a teoria da mente), de David C. Kidd e Emanuele Castano.

Uma explicação. Na expressão "teoria da mente", "teoria" significa "visão" (esse é o sentido originário da palavra). Em psicologia, a "teoria da mente" é nossa capacidade de enxergar os outros e de lhes atribuir de maneira correta crenças, ideias, intenções, afetos e sentimentos.

A teoria da mente emocional é a capacidade de reconhecer o que os outros sentem e, portanto, de experimentar empatia e compaixão por eles; a teoria da mente cognitiva é a capacidade de reconhecer o que os outros pensam e sabem e, portanto, de dialogar e de negociar soluções racionais. Obviamente, enxergar o que os outros sentem e pensam é uma condição para ter uma vida social ativa e interessante.
Existem vários testes para medir nossa "teoria da mente" --os mais conhecidos são o RMET ou o DANVA, testes de interpretação da mente do outro pelo seu olhar ou pela sua expressão facial. Em geral, esses testes são usados no diagnóstico de transtornos que vão desde o isolamento autista até a inquietante indiferença ao destino dos outros da qual dão prova psicopatas e sociopatas.

Kidd e Castano aplicaram esses testes em diferentes grupos, criados a partir de uma amostra homogênea: 1) um grupo que acabava de ler trechos de ficção literária, 2) um grupo que acabava de ler trechos de não ficção, 3) um grupo que acabava de ler trechos de ficção popular, 4) um grupo que não lera nada.
Conclusão: os leitores de ficção literária enxergam melhor a complexidade do outro e, com isso, podem aumentar sua empatia e seu respeito pela diferença de seus semelhantes. Com um pouco de otimismo, seria possível apostar que ler literatura seja um jeito de se precaver contra sociopatia e psicopatia. Mais duas observações.
1) A pesquisa mede o efeito imediato da leitura de trechos literários. Não sabemos se existem efeitos cumulativos da leitura passada (hoje não tenho tempo, mas "já li muito na adolescência"): o que importa não é se você leu, mas se está lendo.
2) A pesquisa constata que a ficção popular não tem o mesmo efeito da literária. A diferença é explicada assim: a leitura de ficção literária nos mobiliza para entender a experiência das personagens.
"Como na vida real, os mundos da ficção literária são povoados por indivíduos complexos cujas vidas interiores devem ser investigadas, pois são raramente de fácil acesso."
"Contrariamente à ficção literária, a ficção popular (...) tende a retratar o mundo e as personagens como internamente consistentes e previsíveis. Ela pode confirmar as expectativas do leitor em vez de promover o trabalho de sua teoria da mente."

Em suma, o texto literário é aquele que pede esforços de interpretação por aquelas caraterísticas que foram notadas pelos melhores leitores do século 20: por ser ambíguo (William Empson), aberto (Umberto Eco) e repleto de significações secundárias (Roland Barthes).

Na hora de fechar esta coluna, na terça-feira, encontro a mesma pesquisa comentada na seleção do "New York Times" oferecida semanalmente pela Folha. A jornalista do "Times" pensou que a leitura literária, ajudando-nos a enxergar e entender os outros, facilitaria nossas entrevistas de emprego ou nossos encontros românticos.
Quanto a mim, imaginei que, na próxima vez em que eu for chamado a sabatinar um candidato, não esquecerei de perguntar: qual é o romance que você está lendo? E espero que o candidato mencione um livro que conheço, para verificar se está falando a verdade.

Por: Contardo Calligaris

Odisséia Fracassada (HOMERO da depressão)

Olá, leitores! Tudo bem com vocês?

Vim avisar que tive um azar problema no meu percurso literário que estava tendo! Comecei a ler A Odisséia de Homero, mas o meu livro, por ser muito muito muito velho, se despedaçou enquanto eu lia. Por isso, diferentemente da minha promessa de ler pelo menos 100 páginas, tive que interromper minha aventura na página 58.

Todavia, queria trazer para vocês o pouco que eu consegui trazer do livro!
Primeiramente, é importante se lembrar que não há confirmação se Homero realmente existiu. O que existe são obras que, muitas vezes, são dada a autoria por ele. Há até quem diga que o nome Homero seja a síntese de vários autores. E, no caso da Odisséia, ele constrói a mitologia grega (em forma de ficção, mas também com um sentido teológico para a época) baseada em concepções já difundidas na sociedade, na qual precisava de aprofundamento. Isso tudo 8 séculos a.C. aproximadamente.

Infelizmente, não tenho como trazer muito sobre a história em si. Até onde eu vi, em forma de prosa, se constituia na narrativa de Telêmaco, filho de Ulisses, que se vê em crise sem saber qual foi o paradeiro de seu pai depois de uma guerra, agregando ao fato de ter uma multidão de pessoas acampadas em sua casa querendo pedir a mão da sua mãe como esposa, já que, supostamente, o marido dela havia falecido. Nisso, ele segue em uma viagem, banhada de festas e heroismo, com a benção de Zeus, em busca de seu pai. 
Me parecia bem legal! Provavelmente quando meu Kindle chegar yey! o colocarei para ler. 

Porém, isso não me impedirá de continuar nas minhas Odisséias literarias! Em breve estarei trazendo outra resenha e pretendo eu trazer um artigo interessante essa sábado ao blog!

Abraços e boas leituras!

Livro Surpresa: A insustentável Leveza do Ser – Milan Kundera

Mas, Rebecca! Você demorou tanto para ler esse livro? O que houve?

Como o título já indica, o livro a qual passei três semanas para ler foi A insustentável leveza do ser, do Milan Kundera. O motivo perpassa por diversas ordens, seja do tempo, seja também pelo fluxo de leitura que o próprio livro permite. Por se tratar de uma obra fragmentada, é muito difícil manter a ordem cronológica de início, meio e fim. Isso, particularmente, me dificulta a leitura, apesar de ser, sem sombra de dúvida, uma obra invejável. Não é a toa que muitos elogios surgem.

O autor é tcheco, nascido em 1929 e está vivo, diferentemente dos outros que eu li recentemente. Além disso, sua pessoalidade dentro do livro, sem ser invasiva, é um detalhe, mas que, pessoalmente, faz toda diferença. Sua experiência com a Guerra Fria, do contexto tcheco e seu grande conhecimento cultural enriquece demais o livro. A(s) história(s) se desenvolve, no meio da invasão russa a Tchecoslováquia, com quatro personagens principalmente: Tomas, Tereza, Sabina e Frank.

Tomas é cirurgião e eu acho que é o personagem mais elaborado de toda obra. Ele deixa a primeira esposa e filho  e se aproxima de Tereza, uma jovem garçonete. Ele já tinha o costume de ter relações sexuais fora do casamento, mas percebe em Tereza algo diferente, que o obriga uma acolhimento diferente. O autor até usa a expressão de que ela fora levada pelas águas, como Moisés e outras figuras conhecidas, até ele.  Uma das mulheres em que Tomas as vezes se encontra é Sabina, pintora de personalidade forte. Ela, entretanto, tem um outro caso amoroso, muito mais longo do que com Tomas com Frank, um professor universitário cuidadoso, que também tem uma esposa e uma filha. Este é o aparato mínimo que se deve conhecer sobre a história. A partir disso, os personagens são elaborados por seus sentimentos, questionamentos e formas de se posicionar, se mesclando com a própria visão do autor nos mais diversos temas possíveis: sexualidade, política, religião, amor etc. O autor, brilhantemente, mescla tanto ele, quanto os personagens junto com grandes intelectuais da área da música, literatura e dos mitos, fazendo o próprio leitor pensar, junto com a história.

Apesar da visível capacidade do autor, a linguagem é muito agradável e possibilita que todo uso de termos filosóficos, da música ou de outros conhecimentos seja de fácil absorção durante a leitura, sem ser forçoso.  Mesmo para pessoas como eu que não gostam muito de filosofia, acaba se tornando muito leve e aproveitoso, sem que seja algo que repele no livro.

Outro fator, como citei antes, é a fragmentação do livro. O início do livro não é o início da história, da mesma forma como o meio e o fim. É dividido em capítulos a qual possui pequenos trechos que se completam como um quebra cabeça. Porém, é interessante frisar que não há nenhum interesse para que se possua todas as peças. Alguns momentos, se cria a inferência e, mesmo momentos que são um pouco fora da história principal, nunca são inúteis. Sem dúvida é de se parabenizar o autor que consegue construir muitas histórias paralelas sem ter enrolação.

E, de fato, é um autor brilhante. Não se tornou meu livro favorito, nem me fez emocionar demasiadamente, nem tocou em momento nenhum a assuntos que me são pessoais. Nada justifique que o livro em si seja meus favoritos, mas o autor, por sua consistência na forma que se desenvolve a obra, a maturidade e conhecimento, é, claramente, um dos melhores que já vi. Provavelmente, me verei lendo outros livros dele, mesmo não me interessando profundamente por seus temas, mas por sua capacidade.

Enfim, recomendo muitíssimo e aposto que, para muitos, será o livro favorito de todos os tempos.


Um abraço e boas leituras!

Ubirajara (José de Alencar, 1874)

Mas já?? Sim, eu leio rápido.

77 páginas me conduziram para a história do guerreiro Ubirajara, que tem seu nome modificado várias vezes durante o livro, que é forte e exemplar em sua tribo.  Criado no mesmo ano que foi produzido uma das grandes obras, Senhora, este mantém o ritmo e algumas lembranças do que foi Iracema, tendo algumas peculiaridades. A primeira delas, já deixei claro, o foco é o guerreiro, e não mais a mulher virgem. Além disso, acho que os personagens dessa última história são um pouco mais leves e sua escrita menos poética em sua totalidade. Todavia, está repleta de significados e, principalmente cantos, o que empodera a ficção.

O personagem principal era noivo de uma virgem, chamada Jandira, mas ele começou a sonhar com outra Índia, a Araci, de outra tribo. Assim, a priori abandonou a primeira noiva e foi para a outra terra para conquistar essa nova amada. No meio do caminho, lutou com um outro guerreiro chamado Pojucã e o derrotou. Ao chegar a terra de Araci, foi muito bem recebido pelo povo , principalmente pelo pai da moça, e teve que participar de um torneio para conseguir a nova virgem em casamento – e conseguiu. Porém, ao final das lutas, quando receberia a noiva em suas mãos, o pai finalmente decide conhecer de quem seria sogro e, para a infelicidade do guerreiro Ubirajara, este também era pai do guerreiro que havia derrotado, o Pojucã. Isso causa uma guerra entre as tribos, e familiar sem dúvida. A história entra em seu clímax ao tentar lidar com essa história – Itaquê, que era o pai, ficava dividido em dar a sua filha como esposa para o merecido guerreiro que era, ao mesmo tempo, quem massacrou o próprio filho.
É uma leitura bem dinâmica, dramática e tem muitos elementos da cultura indígena que fazem intercessão com a história de Iracema. Tem também um fluxo de acontecimentos que possibilita que o leitor entre na história e não fique monótono, como me aconteceu com A normalista. Mesmo assim, não tenho como dizer se gostei ou desgostei. Talvez a melhor expressão seja agradável para o momento.

Minha próxima leitura vai ser SURPRESA!
Dicas: é bem mais contemporâneo, é conhecido e muitas pessoas desejariam que o livro estivesse na lista.

Enfim, boas leituras e tragam as suas opiniões! :)

Abraços.